Benedito Calixto de Jesus, o artista que dá nome à Pinacoteca da cidade de Santos (pinacoteca Benedito Calixto), nasceu na metade do século XIX, em outubro de 1853, na então Vila Conceição de Itanhaém, no litoral sul do estado de São Paulo, e viveu quase a vida inteira oscilando entre litoral e interior do estado com uma passagem por Paris.

Do pai, João Pedro, um ferreiro e marceneiro, Benedito aprendeu o ofício da marcenaria.

Conheça a história do artista

Retrato de um artista quando jovem

Desde muito jovem, o futuro artista já demonstrava vocação para a pintura. Ele começou na arte pictórica como autodidata, estudando em ateliês e escolas de pintura - caminho diferente dos pintores da época, que frequentavam a Academia Imperial de Belas Artes.

Na juventude Calixto já pintava tabuletas e propagandas e fazia composições de paisagens em casarões de época. Foi na juventude que ele foi viver em Brotas, onde seu tio Joaquim o levava para ajudar no trabalho, que consistia em limpeza e pintura da igreja local. Essas experiências foram marcantes na formação do senso estético de Benedito Calixto que pintou imagens de paisagens e religiosas durante toda a vida. 

Uma grande virada e a primeira exposição

Quando tinha 29 anos e a pintura ia mal, sem grandes oportunidades, Calixto teve uma grande virada de sorte, justamente em Santos. Ele foi contratado para pintar e entalhar o interior do teatro Guarany, localizado na cidade. O trabalho abriu muitas portas para o pintor - entre elas, Benedito ganhou uma bolsa para estudar pintura em Paris, naquela altura o epicentro das artes plásticas do mundo.

Em Paris, Benedito Calixto estudou no ateliê do impressionista Jean François Raffaelli, porém não se adaptou à técnica de pintura. Ele entrou então na Acadêmie Julian, onde, além de ter suas obras expostas em exposições, tem entre seus mestres os artistas Gustave Boulanger, Tony Robert-Fleury, Jules Lefebvre e William Bouguereau.

Durante sua estadia em Paris, Benedito Calixto também obteve o segundo lugar num concurso de pintura histórica com a tela Uma Cena do Dilúvio Divino.

O retorno de Paris

Em 1884, Benedito Calixto retorna dos estudos em Paris com uma inovação tecnológica: uma câmera fotográfica que, no futuro, o auxiliaria na composição de suas obras históricas e religiosas.  

Após retornar de Paris e depois de uma passagem por São Paulo, Benedito Calixto se instalou definitivamente em São Vicente, em 1894, aos 41 anos. Ele vive nesse período sua fase mais produtiva, criando obras que estão expostas em importantes igrejas e museus do país, entre eles o museu do Ipiranga, em São Paulo.

A obra de Benedito Calixto

São as obras de cenas portuárias e litorâneas de Calixto que o alçam de artesão prestigiado à pintor reconhecido. As telas de cenas históricas e paisagens de Calixto são registros raros do passado do litoral paulista e da vida urbana do período em que ele viveu.

Além de museu do Ipiranga, Calixto possui obras no museu Paulista, em São Paulo, e em inúmeras igrejas em todo o país. Também se dedicou à escrita, à fotografia.

Ao longo de sua jornada, Benedicto Calixto produziu em torno de 1700 obras, das quais 712 são catalogadas. Pintou marinhas e retratos, representou paisagens rurais e urbanas e criou obras religiosas que lhe renderam a Comenda de São Silvestre, concedida ao artista pelo Papa Pio XI, em 1924.

Foi casado uma única vez, com sua prima de segundo grau Antônia Leopoldina de Araújo, com quem teve três filhos, Fantina, Sizenando e Pedrina. 

Em 31 de maio de 1927, Calixto visitava o filho Sizenando durante o intervalo da pintura de duas telas, quando teve um infarto e faleceu, aos 74 anos.