O Estação Bistrô é o primeiro da modalidade a funcionar no país. Parte de projeto do Ministério do Turismo, em parceria entre a Prefeitura de Santos e a Universidade Católica de Santos, foi aberto ao público em 2012. Neste texto o leitor saberá como funciona o restaurante, como ele é avaliado pelo público, vai entender o conceito de restaurante escola, e vai conhecer a rica história do prédio e dos trilhos que o atravessam.

O Restaurante Escola Bistrô

Com mais de 150 anos,  iniciou suas operações em 5 de junho de 2012,  após os serviços de recuperação da estação, então desativada desde 1996. Fica localizado no andar térreo de um prédio também ocupado pela Seectur (Secretaria de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo) de Santos. Está localizado na estação do Valongo, no Centro Histórico de Santos, na Praça Largo Marquês de Monte Alegre.

Fora dos períodos de quarentena da pandemia de coronavírus, o restaurante funciona para almoços, das 12h às 15h, oferecendo diariamente três opções de pratos, elaborados pelos alunos sob supervisão de chefs capacitados.   

A preços justos, além da entrada,  o restaurante oferece em seu cardápio cinco opções de salada, sete opções especiais e seis de sobremesas. Além de bebidas naturais e caipirinhas, tem uma opção de chá da casa.

Um dos restaurantes mais bem avaliados de Santos

De acordo com o Trip Advisor, o Estação Bistrô está entre os 40 melhores, dos quase mil restaurantes santistas. No ranking de culinária brasileira, ele se sai ainda melhor, está entre os vinte melhores, dentre mais de 260 estabelecimentos.

No Trip Advisor, que rankeia os estabelecimentos de acordo com avaliações do público, o Estação Bistrô é 37º melhor restaurante de um total de 915 restaurantes avaliados pelo público em Santos. Entre os de comida brasileira, o restaurante é o 18º mais bem avaliado, entre 263 estabelecimentos congêneres.

Na plataforma, o restaurante possui  alta avaliação nos critérios comida, serviço, preço e ambiente. Numa avaliação de 1 a 5 ele tem nota 4 nos critérios comida, serviço e ambiente e nota 4,5 no critério preço.

Entre 137 avaliadores que classificaram o restaurante, quase 80% o avaliaram como excelente ou muito bom. Os visitantes costumam ressaltar a qualidade da comida e a ótima relação custo benefício de se fazer uma refeição no local.  

Quando a mágica da gastronomia se encontra com a magia do ensino

O nome “Restaurante-Escola” resume bem o que é o Estação Bistrô: Um híbrido entre restaurante e escola. Como todo e qualquer estabelecimento do tipo, o Bistrô atende o público, oferecendo refeições de excelente nível gastronômico, porém em suas cozinhas, além da mágica do preparo de refeições, ocorre também a mágica do ensino.

A cada semestre, cerca de 25 jovens de 18 a 29 anos em situação de vulnerabilidade socioeconômica  cadastrados na Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos ingressam no curso que vai começar a iniciá-los nos meandros do universo gastronômico.

Os egressos, que receberão uma formação para as funções de ajudante de cozinha ou de garçom, têm aulas práticas e teóricas relacionadas à gastronomia e nutrição com organização pedagógica da Unisantos.

Em rodízios semanais nos diferentes setores do restaurante e também em atividades teóricas, os alunos aprendem diversos fundamentos daquilo que faz a rotina de um restaurante, tais como habilidades básicas e rudimentos da cozinha quente e fria,  noções de bebidas e  panificação, dentre outros aprendizados.

Ao longo do curso os alunos recebem uma bolsa auxílio de um salário mínimo, vale transporte e seguro de vida. Ao final do curso, os estudantes que apresentam aproveitamento médio recebem um certificado emitido pela Universidade Católica de Santos.   

Quase 80%  dos alunos formados no curso arrumam emprego.  Os alunos de maior destaque chegam a ser disputados por estabelecimentos e empresas do setor.

Uma joia histórica: a  Estação e o Prédio

A antiga estação do Valongo fez sua história de mais de 15 décadas também com uma conexão gastronômica, a produção de uma das bebidas mais apreciadas do mundo, o café, era escoada através das linhas de trem de São Paulo afora durante a segunda metade do séc. XIX e primeira do XX, passando pela estação, construída nas imediações do cais do porto de Santos.

A produção cafeeira de todo o estado de São Paulo desembarcava na estação de onde ia para o porto para ser embarcada nos navios exportadores. Uma vez que o café foi a principal matéria prima de exportação da economia de São Paulo durante décadas e toda a produção paulistana que seria exportada passava pela estação, não é exagero afirmar que o local é parte importante da história do desenvolvimento econômico de São Paulo e do Brasil.

A estação foi desativada em 1996, depois de funcionar por mais de um século como transporte de passageiros que vinham sobretudo de São Paulo, atravessada pelos trilhos. 

Permaneceu desativada e sem utilidade por oito anos, desde a desativação em 1996 até a restauração em 2004, quando o prédio recebeu a secretaria de Turismo e, posteriormente, o Restaurante Escola Bistrô.  Existe um projeto do governo estadual de reativação da função de transporte da estação, ligando-a a São Paulo pela antiga estrada de ferro Santos-Jundiaí.

O  edifício é considerado uma  relíquia arquitetônica, apesar dos telhados projetados para o escoamento de neve em pleno clima tropical. Foi projetado na Inglaterra, então maior potência econômica do mundo. É de lá que provém seu estilo neoclássico inspirado na estação Victoria Station.  Foi inaugurado em 1867 pela São Paulo Railway.

O prédio foi erguido por iniciativa do Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Souza) para atender à linha São Paulo – Santos, uma das primeiras do Brasil. A ferrovia  conectada à estação é considerada uma das maiores obras de engenharia ferroviária já realizadas, em função da inclinação de oito quilômetros de trilhos pela Serra do Mar. O trajeto lembra uma montanha russa em slow motion. 

O prédio ostenta em sua fachada uma torre com relógio símbolo da dita pontualidade britânica e a precisão nas chegadas e partidas requeridas numa estação de trem. As quatro esculturas de leões representam a força do império britânico que importou a engenharia da obra. Os telhados, num declive angular acentuado, tem uma funcionalidade na Europa, de onde provêm o estilo: facilitar o escoamento da neve.

Durante a revitalização do prédio em 2013, o piso original do térreo, com dois tipos de ladrilho hidráulico, foi descoberto.

A linha de trem: artérias urbanas que conectam São Paulo

A estação do Valongo é o quilômetro zero de uma linha férrea cheia de história. Foi construída em regime de concessão para a São Paulo Railway, empresa inglesa criada para essa finalidade.  

A construção inicial levou oito anos para ficar pronta, o que ocorreu em 1867. Na década de quarenta, com o fim da concessão dada aos ingleses, foi estatizada. Data desta época o nome da linha férrea mais utilizado até hoje: Estrada de Ferro Santos – Jundiaí. Em 1966 a linha férrea (não a estação) foi privatizada.

A estação, que começa no Valongo, é como uma artéria que conecta Santos a diversos lugares. Os mesmos trilhos que ali passam, cruzam oito cidades. Eles passam por Cubatão, Santo André (Paranapiacaba e área central), Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, São Caetano do Sul e a Capital Paulista.

Os trilhos, que começam no Valongo, em Santos, definiram e definem a geografia urbana da maior cidade do país e capital do estado. São os trilhos do Valongo que separam os o Cambuci da Mooca e o Ipiranga da Vila Prudente, quatro bairros icônicos da capital paulista. Além disso, os mesmo trilhos cruzam o Brás, Bom Retiro, Santa Cecília, Barra Funda, Lapa, Pirituba, Jaraguá e Perus. Bairros da Zona Oeste, Centro e Noroeste paulistano.