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Política

PPS quer eleger mais deputados federais em 2018

Roberto Freire, presidente do partido, fala sobre a eleição presidencial, a sucessão paulista e os planos da legenda


07 de março de 2018 às 17:45
Por Estela Craveiro
Roberto Freire prioriza o preparo do PPS para as novas regras eleitorais dos próximos anos
Roberto Freire prioriza o preparo do PPS para as novas regras eleitorais dos próximos anos Foto: JCN

Em visita a Bertioga para participar do programa Opinião, da TV Costa Norte, o deputado federal Roberto Freire, presidente do Partido Popular Socialista (PPS) conversou com a reportagem do jornal Costa Norte sobre o cenário da sucessão presidencial, sobre  o contexto da sucessão estadual e os planos do PPS para as eleições de 2018, de olho na cláusula de desempenho.

A partir de 2019, para ter presença no Congresso Nacional e para ter acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão, cada partido precisa superar a cláusula de desempenho nas eleições de 2018. Significa obter, no mínimo, 1,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, em nove unidades da federação. Esse percentual subirá a cada pleito, chegando a 3% em 2030. Outra opção da cláusula é eleger, em nove unidades federativas, no mínimo nove deputados federais em 2018, fator que evoluirá até 15 deputados em 2030.

Há alguma chance de o PPS ter candidato à presidência da República?

Não. A tendência é apoiar Geraldo Alckmin. Ainda não foi decidido. O PPS deve canalizar todas suas potencialidades, recursos humanos e recursos financeiros para atender a um objetivo fundamental, que é superar a cláusula de desempenho, também pensando no futuro. Nas próximas eleições, a partir de 2020, não haverá mais coligação. É importante que a gente prepare o partido para isso. Uma candidatura a presidente que não esteja com muita chance poderia até ser muito boa, qualificando o debate presidencial, mas pode desviar as atenções.

O PPS elegeu dez deputados federais em 2014. Pretende ampliar esse número em 2018?

Há alguma chance disso. O partido experimentou um crescimento, está vivendo um bom momento, por exemplo, tendo contato com alguns movimentos cívicos e sociais, da juventude, de profissionais, que estão se integrando ao partido com candidatos para determinados setores da sociedade, em que nós não temos contatos, que participam desses movimentos. Quem sabe isso pode dar num desempenho melhor nesta disputa do que o que tivemos na eleição passada? Vamos concentrar esforços na eleição de deputado federal para superar essa cláusula e preparar o partido para a cláusula que será maior em pleitos futuros, em que também as coligações não serão mais permitidas, a partir de 2010.

O partido tem quantos filiados? Vocês têm alguma meta?

Uns 400 mil. Precisamos ter certo cuidado com isso. O fato de ter muitos filiados pode não significar que todos sejam do partido. As pessoas, muitas vezes, até se filiam, porque querem ganhar alguma disputa interna. A gente tem que ter sempre cuidado para ter filiados que sejam minimamente vinculados ao programa partidário.

Mais importante é aproximação com novos setores da cidade?

Isso traz filiação, mas é muito mais importante porque esse setores que se organizam em movimento têm o cuidado de fazer programa, projetos, são muito mais atentos à questão da política, e isso qualifica sem nenhuma dúvida o partido de que eles participarem.

Como avalia o cenário da sucessão presidencial?

Está ainda um pouco indefinido. Tem uma grande definição. Lula é ficha suja e não será candidato. Quem é que fica como herdeiro daquilo que o PT fez?  No campo do PT e seus aliados, o cenário está indefinido. No outro campo também alguma indefinição. O próprio DEM fala de uma pré-candidatura de Rodrigo Maia (será definida em convenção, em 8 de maio). Tem o PSDB com a candidatura o Alckmin, mas com o problema aqui em São Paulo ainda de indecisão de candidatura na sucessão estadual. Talvez a mais definida seja a candidatura da extrema direita, do Jair Bolsonaro. Eu achava que a coisa caminhava para a representação do novo, de alguém que surgisse fora da política tradicional. Mas isso fica cada vez mais distante. Não temos aí nenhuma força. Teve um momento em que isso apareceu com o caso do Luciano Huck. Mas este não é candidato, nunca disse que era e definitivamente disse que não seria. Era a única coisa que tinha assim. Até para o partido trazia uma expectativa muito grande. Ele tinha dito que se viesse a ser candidato, o partido seria o PPS.

Então eleição deve então se definir entre as forças já desenhadas?

É. Não estou vislumbrando nada de novo. Mas, olhe, o Brasil está vivendo tempos em que a gente não tem porque imaginar que não vai se surpreender. Pode se surpreender. Por isso estou dizendo que estamos vivendo um cenário indefinido. Surpresas podem acontecer. Não tem muito assim em perspectiva. Mas no Brasil...

Como o senhor analisa a sucessão no estado de São Paulo?

Tem o Márcio França que vai substituir o Alckmin agora. E muito provavelmente será candidato. A dificuldade é que o PSDB pretende também ter um candidato, e parece que esse candidato é o João Dória. Não sei como isso vai ser trabalhado por Alckmin, porque ambos serão da sua administração, um via partido e o outro via governo. O PPS não tem nenhuma definição. Não teremos candidato próprio. A discussão é se apoiamos o Márcio ou o Dória, se for o candidato do PSDB.

Como o senhor avalia um dos maiores problemas do país, a reforma da previdência?

Essa ficou para o próximo governo. Muito provavelmente.  Acho que esse Congresso já não vota mais a previdência. Daqui a pouco vai começar a campanha eleitoral. Os candidatos a presidente terão que assumir compromisso a favor ou contra. A reforma é uma necessidade. Não é um problema de conjuntura, de recursos hoje. O problema é que o que tem que mudar é o sistema, todos se aposentarem nos termos do sistema geral, de todo trabalhador brasileiro.

Como avalia a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro e a criação do Ministério da Segurança?

Era uma necessidade, daí nosso apoio imediato.  O governo pode daquilo tentar extrair ganhos políticos, como a oposição também fica imaginando ao se opor ter ganhos políticos. Houve até uma declaração do Bolsonaro de que não podiam tomar a bandeira ele. Não é Bolsonaro que vai resolver a segurança, é o governo. Acabou. Não estou preocupado se ganha governo ou se ganha Bolsonaro, estou preocupado é que ganhe a família brasileira, que precisa ter segurança. Nossas cidades precisam ser ambientes em que a gente não ande com medo. Não é possível ter medo de crianças. Eu tenho muita esperança, até porque essa intervenção no Rio não é para botar soldado na rua, é para controlar o comando da segurança pública. É algo que pode ter resultados muito positivos, com o fato inédito de ser uma intervenção que busca remover causas do crime e não apenas policiamento ostensivo ao crime.

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