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Opinião
Foto: Divulgação

A escada se lava de cima para baixo

Nas próximas eleições de outubro, o Brasil precisa começar a lavar a escada de cima para baixo


27 de agosto de 2018 às 15:52
Por Celso Tracco

*Celso Luiz Tracco 


Uma das máximas na atividade empresarial é que "a escada se lava de cima para baixo". Ela faz analogia ao trabalho de uma assessoria contratada por determinada empresa, que precisa de uma real transformação para sobreviver, pois o seu modelo de negócio está se deteriorando e ela não consegue, sozinha, se reerguer. Ou seja, a "limpeza" tem de começar pela diretoria e ir descendo até chegar à base, degrau por degrau. Muitas vezes, o gestor da empresa, que teve sucesso no passado, não quer perceber que o seu tempo passou, que seus métodos são ultrapassados. Continua agarrado ao seu posto de maneira monolítica. O gesto pode até ser nobre, poético, heroico, mas é inócuo e, principalmente, egocêntrico. Pensa em si, mas não no bem comum.

Nas próximas eleições de outubro, o Brasil precisa começar a lavar a escada de cima para baixo. Uma verdadeira limpeza, com produtos bem fortes, daqueles que removem toda a sujeira. Certamente, dará muito trabalho, será extenuante e precisaremos de muitas mãos. A escada do poder, cujo degrau mais alto é simbolizado pelo Palácio do Planalto, deveria ser de limpeza imaculada, porém, está imundo de tantos detritos, de tantos dejetos, de tantos restos de material velho e abandonado. Olhando bem de perto seu aspecto causa nojo e repulsa. Não adianta fazer uma limpeza assim por cima, leve, apenas para constar. Temos, realmente, de nos empenhar para eliminar toda a sujeira.

O melhor detergente para essa limpeza? O voto, o seu voto, o nosso voto! Quem deve limpar a escada? Sem dúvida, nós, os eleitores. Apenas pela força do voto, podemos começar a limpar a "principal escada" de nosso país. Esse deve ser um trabalho contínuo e com a participação de toda a sociedade; não pode ser reduzido a algumas pessoas ou grupos que se julgam "iluminados".

A empresa Brasil até que começou com ares de limpeza mas, com o passar do tempo, passou a ter uma propina aqui, um mensalão ali, pedaços de malas e roupas usadas para guardar dinheiro, porcentagens e nomeações espúrias em quase todos os departamentos. Privilégios, pensões, obras faraônicas paradas, indicações políticas (cabides de emprego). Foram tantas as ingerências, que a empresa ficou sem caixa para cumprir com os compromissos assumidos. Mas, o gestor não demite ninguém, ao contrário, aumenta ainda mais os gastos.

O gestor, sua diretoria e seus gerentes querem manter os mesmos hábitos de sempre, não querem perder seus privilégios e, principalmente, não querem salvar a empresa. Que a nossa participação nas eleições saiba expulsar todos esses políticos que insistem em destruir a empresa Brasil.

*Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga - a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.

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