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Opinião
Foto: Divulgação/Secretaria de Educação SP

Quem vencerá? O lixo ou nós?


27 de fevereiro de 2018 às 15:13
Por Eleni Nogueira

*José Renato Nalini

Desde 2010, o Brasil tem uma lei que obriga a oferta de coleta seletiva de lixo pelos municípios. Só que, hoje, apenas 1.055 das 5.570 cidades brasileiras a cumprem. Ainda assim, às vezes parcialmente. Menos de 20%, portanto. O que faz dos brasileiros um povo que convive com a sujeira. É uma questão de educação. Mas é também de saúde e de economia. Desperdiçamos material precioso e deixamos de reaproveitá-lo como fazem os países ricos. Somos pobres e pouco higiênicos.

Uma vergonha passar pelas ruas e ver detritos. Não são frutos de geração espontânea, mas resultam de nossa insensibilidade. Pessoas escolarizadas não se preocupam com o uso racional daquilo que, usado de forma insensata, multiplica nossa vulnerabilidade. É comum verificar que mesmo diante do aviso, junto às torneiras de estabelecimentos comerciais como restaurantes, por exemplo, que uma folha é suficiente para enxugar as mãos, o “doutor” puxa várias folhas como se mostrasse a sua prepotência. “Eu mereço várias toalhas”!

Ou o motorista do carro, ao celular, jogando copos, garrafas PET e outros objetos pela janela. Por isso é que nossas cidades estão imundas e o governo não consegue mantê-las como cenário decente de vida digna. A reciclagem no Brasil deu certo não por inspiração ecológica, mas por necessidade de uma população vulnerável e carente. Das 294 toneladas de latinhas de alumínio produzidas no Brasil em 2015, 290 foram recicladas. É uma taxa de utilização de 98,4%, recorde no mundo. É um mercado que movimenta R$ 1 bilhão por ano.

São Paulo tenta fazer sua lição de casa. Tem 99% dos domicílios atendidos por coleta de lixo. Enquanto isso, o Maranhão tem 59%, o mais baixo índice brasileiro. Mas é preciso insistir na educação. Podemos ser bem melhores se o povo colaborar. A escola é o lugar em que se deve insistir nessa tese: povo civilizado é povo limpo. Povo limpo é povo saudável. Povo saudável gera riqueza. Riqueza, queira-se ou não – e aqui considerado o estado saudável de quem consegue sobreviver com dignidade – é um fator da felicidade possível a cada ser humano em percurso transitório por este vale de lágrimas.

*José Renato Nalini, secretário da Educação do estado de São Paulo e docente da Uninove.


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