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Foto: Reprodução/Internet

Endometriose não é ‘sentença antigravidez’, diz médico do Hospital das Clínicas

Hoje é o Dia Nacional da Luta Contra a Endometriose, doença que acomete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva


08 de maio de 2019 às 14:50
Por Da Redação

Nesta quarta-feira, 8, é celebrado o Dia Nacional da Luta Contra a Endometriose. A doença, que acomete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, é caracterizada pela presença de células do endométrio – tecido que reveste a camada interna do útero – em outros órgãos e tecidos situados fora do útero, principalmente na cavidade abdominal. Somente no país, sete milhões de mulheres sofrem com endometriose. 


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De acordo com o médico assistente do Ambulatório de Endometriose do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Giuliano Borrelli, a dor é um dos sintomas mais frequentes na endometriose e, geralmente, pode estar relacionada ao período menstrual, na qual as pacientes costumam sentir cólicas com intensidade acima da média, e também durante o ato sexual, causando desconfortos durante a penetração. Além disso, dores ao evacuar e dor pélvica crônica, com duração acima de seis meses, também caracterizam sintomas associados à doença. 


No entanto, uma questão muito importante e que, segundo o especialista, não é totalmente compreendida, é que, por diversas vezes, a doença acaba sendo associada à infertilidade para algumas portadoras, o que causa uma angústia ainda maior nas mulheres que têm endometriose e desejam engravidar. Borrelli salienta que a gravidez é, sim, possível, e que nem todas apresentarão problema de fertilidade. “De 50% a 60% conseguirão engravidar espontaneamente, sem precisar de tratamento, apesar da doença estar lá”.


Essa dificuldade acontece, entre outros motivos, porque independentemente do tamanho e da quantidade de lesões, esses focos de doença produzem substâncias dentro da cavidade abdominal que podem prejudicar não somente a fecundação, mas a implantação do embrião na cavidade uterina, a qual também está alterada nas portadoras de endometriose. “Além disso, pacientes com doença muito avançada podem sofrer alterações importantes na anatomia original dos órgãos reprodutivos”, conclui.


Contudo, Giuliano ressalta que é preciso desmistificar a ideia de que, ao descobrir a endometriose, o ciclo reprodutivo da mulher estará fechado. “Isso não é verdade. Existe tratamento, existe uma chance grande de reverter essa situação”. 


O procedimento ideal para pacientes com infertilidade e endometriose é determinado conforme o perfil de cada uma delas, levando-se em conta, especialmente, a idade e a intensidade dos sintomas. Se a portadora apresenta dor intensa, geralmente é indicado o tratamento cirúrgico para eliminar esses focos e melhorar o quadro clínico de dor, além de possibilitar muitas vezes, gestação espontânea após a cirurgia. Já em casos com poucos sintomas e idade superior a 35 anos, quando possível, é recomendado buscar medidas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, pois melhoram a capacidade de engravidar e oferecem resultados satisfatórios mesmo sem tratar a endometriose.


Segundo o especialista do HC existe, ainda, um terceiro grupo de mulheres que precisarão da cirurgia e que, mesmo tirando toda a doença, terão dificuldade para conseguir uma gestação espontânea, precisando recorrer às técnicas de reprodução assistida. O mais importante é buscar ajuda de um especialista que atue diretamente com essa questão e verificar o melhor tratamento para cada caso.

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