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São Sebastião já tem trânsito de grandes metrópoles

Circular de carro pela região central e estacionar por suas estreitas ruas são exercícios que exigem muita paciência dos motoristas


10 de abril de 2019 às 16:59
Por Reginaldo Pupo
Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul
Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul Foto: Reginaldo Pupo/JCN

Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul
Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul Foto: Reginaldo Pupo/JCN

Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul
Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul Foto: Reginaldo Pupo/JCN

Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul
Carros estacionados no Centro Histórico de São Sebastião, região onde há falta de vagas para estacionamento e onde poderá ser implantado o sistema de Zona Azul Foto: Reginaldo Pupo/JCN

O então pacato município de São Sebastião já não é o mesmo. Circular de carro pela região central e estacionar por suas estreitas ruas são exercícios que exigem muita paciência dos motoristas e faz lembrar o caótico trânsito das grandes metrópoles, como São Paulo.

 

A reportagem circulou, durante uma semana, por diversos pontos da região central, a partir do bairro São Francisco (a 6 km do Centro), onde a fluidez do trânsito começa a diminuir. Os semáforos são eleitos pelos motoristas como os “vilões” da lentidão e dos congestionamentos.

 

Há dois horários de “pico” durante a semana e nos fins de semana. No primeiro caso, a quantidade de motoristas que seguem para o trabalho no centro torna o trânsito moroso a partir do bairro São Francisco, entre as 6h45 e 9h. No retorno, o horário de “pico” é das 17h15 até as 19h45, em média.


Já nos finais de semana, o trânsito é formado geralmente por turistas que buscam as praias. Entre as 8h30 e 10h há lentidão. O trecho compreendido entre o bairro São Francisco e o Centro geralmente é percorrido em 15 minutos, mas nos feriados prolongados e temporada chega a levar entre 1h e 1h30. O horário de retorno das praias é registrado a partir das 17h.

 

No trecho percorrido pela reportagem há cinco semáforos em um trecho de apenas 350 metros. Só no bairro Porto Grande há dois. Dos cinco equipamentos, um é praticamente privativo da Transpetro/Petrobras, que somente é acionado quando algum veículo sai ou entra na empresa. E outro está em frente ao Corpo de Bombeiros, que é acionado quando os veículos de emergência precisam sair do grupamento.

 

Semáforos 

O tempo de abertura dos semáforos também é alvo de crítica dos motoristas que têm que acessar a Avenida Guarda-Mor Lobo Viana, a principal do município. Existem duas ruas que saem do Centro Histórico e Rua da Praia que direcionam o fluxo para a avenida principal com semáforos, a Armando Sales de Oliveira e a Auta Pinder. Nessas duas vias os motoristas se queixam da demora na abertura do sinal verde. Segundo eles, o verde fica aberto por apenas alguns segundos, impossibilitando que o maior número de veículos possíveis acesse a Guarda-Mor Lobo Viana.

 

“O sinal verde abriu quatro vezes e ainda estou na mesma rua, em fila dupla”, disse o representante de vendas Ricardo Albuquerque Meneses, 38, que reside em Caraguatatuba, e que estava na rua Auta Pinder tentando acessar a Guarda-Mor. “Acho que o sinal verde deveria ficar mais tempo aberto”. O problema se repete na rua Armando Sales de Oliveira.

 

A reportagem percorreu a mesma rua nesta semana. Os últimos carros, em fila dupla, estavam aguardando em frente ao Tebar Praia Clube, a cerca de 200 metros do semáforo. A reportagem somente conseguiu entrar na Guarda-Mor quase cinco minutos depois, após o sinal abrir e fechar três vezes. Havia caminhões descarregando mercadorias em um supermercado, o que agravava ainda mais o problema.

 

Estacionar é uma “loteria”, dizem motoristas 

Estacionar no centro de São Sebastião está se tornando algo tão difícil quanto ganhar na loteria, dizem os motoristas. A Rua da Praia, após as obras de revitalização, se transformou em um dos maiores estacionamentos a céu aberto da região. Mesmo assim, já está saturado. A falta de vagas obriga os motoristas a estacionar seus veículos nas estreitas ruas do Centro Histórico, nas calçadas, em frente a garagens particulares e até em locais reservados para portadores de necessidades especiais e idosos.

 

Na Rua da Praia, por exemplo, é comum encontrar carros estacionados em locais reservados a motos e até mesmo na faixa de pedestres. Os motoristas que cumprem as leis de trânsito se veem obrigados a ficar circulando até surgir uma vaga. Neste local não há horário de “pico”.

Durante todo o dia, desde as primeiras horas da manhã, a Rua da Praia é tomada por carros estacionados. Guardadores clandestinos já estão agindo no local. O problema já fez com que motoristas estacionem em cima da praça localizada em frente à sede da Secretaria de Cultura e Turismo, único local arborizado da avenida.

 

Há alguns motoristas que se valem do jeitinho brasileiro e param os veículos nos estacionamentos de bancos e supermercados. A estudante Camila Silva, 22, confessa que utiliza esses locais para deixar seu carro estacionado. “Rodei por mais de meia hora e não achei nenhum lugar para deixar o carro. Então preferi estacionar aqui no supermercado, já que não precisa pagar. Pelo menos, aparentemente, é mais seguro”.

 

O engenheiro Milton Simões Pugliesi, 44, deixou seu carro no estacionamento do Shopping Pierotti para ir aos bancos e fazer compras. Turista de Ribeirão Preto, disse que estava passando e viu a vaga. “Não pensei duas vezes e estacionei. Foi pura sorte, pois nos outros dias fiquei muito tempo procurando onde estacionar e acabei desistindo. Fui a dois bancos e ainda comprei lembrancinhas para os amigos”.


Para minimizar problema, prefeitura implanta radares e estuda criar Zona Azul

A prefeitura de São Sebastião admite que há falta de rotatividade de veículos, principalmente no centro, o que prejudica o comércio local. Muitos clientes já desistiram de suas compras por não encontrarem local para estacionar.


Para isso, a administração estuda a implantação da Zona Azul, já aprovada pelos vereadores, e que foi elaborada com base em estudos que apontam que um mesmo veículo estacionado por horas no mesmo local prejudica não só a utilização do espaço público por outros motoristas, como também traz reflexos negativos ao setor comercial.


A administração informou que há estudos em andamento que possam fomentar a criação de vagas de estacionamento. Enquanto não são concluídos, a prefeitura criou um bolsão de estacionamento na Rua da Praia, que trouxe alívio ao Centro Histórico. Informou ainda que estuda outras áreas para estender a iniciativa, como por exemplo, próximo à balsa.


Também novas vagas para veículos foram abertas ao lado do Teatro Municipal, além do estacionamento do Paço Municipal ter sido reorganizado – o que permitiu mais vagas.


Radares

Uma das medidas tomadas pela prefeitura para aliviar o trânsito e aumentar a fluidez entre o bairro São Francisco e o centro da cidade foi retirar, neste ano, todas as lombadas e implantar, no lugar, radares eletrônicos. A prefeitura disse ter realizado estudos que comprovariam que as lombadas provocavam morosidade no trânsito.


Um dos exemplos citados pela prefeitura foi o tráfego de caminhões e carretas, que para passar pelos obstáculos, são obrigados a chegar a quase zero quilômetro de velocidade. E o trecho recebe muitos desses veículos que se dirigem ao porto de São Sebastião.


Com a implantação dos radares, o trecho entre o bairro São Francisco e o centro, de seis quilômetros, ganhou seis equipamentos, ou seja, média de um radar a cada quilômetro. O limite de velocidade irá variar entre 40km/h, 50km/h ou 60km/h.


Os novos radares vão se somar aos 23 já existentes, ao longo da rodovia SP-55 (Rio-Santos), totalizando 32. Desta forma, a rodovia, no trecho de São Sebastião, terá em média um radar a cada 2,5 quilômetros.


Os novos equipamentos já estão instalados, mas a prefeitura prorrogou a data do início da operação, prevista inicialmente para a última segunda-feira, 8, por causa das chuvas que atingiram a cidade e impossibilitou o trabalho dos técnicos e as aferições do Instituto Nacional de Meteorologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).


A prefeitura informou que realizará uma campanha educativa antes do início da autuação e que a data do início de funcionamento dos aparelhos ainda será divulgada.

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