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Jararaca é responsável por 90% dos acidentes registrados  em SP
Jararaca é responsável por 90% dos acidentes registrados em SP Foto: Antonio Cor da Costa

Verão aumenta incidência de cobras em áreas urbanas

Este ano, a Diretoria de Operações Ambientais de Bertioga já atendeu 12 chamados de aparições de serpentes em quintais


26 de fevereiro de 2019 às 16:53
Por Da Redação
Jararaca é responsável por 90% dos acidentes registrados  em SP
Jararaca é responsável por 90% dos acidentes registrados em SP Foto: Antonio Cor da Costa

Jararaca encontrada em quinta no Caruara
Jararaca encontrada em quinta no Caruara Foto: Recebido Via WhatsApp

O verão de 2019 tem registrado temperaturas elevadíssimas e junto com o calor vem a incidência do aparecimento de animais peçonhentos no meio urbano, como cobras, principalmente em áreas próximas à mata.  Em Bertioga, de novembro para cá, a Diretoria de Operações Ambientais do município já registrou 15 chamados ligados a aparição de serpentes, a maioria na Riviera de São Lourenço, com sete aparições (sendo seis de jararaca - Bothrops).  


Na semana passada, um internauta enviou à redação a foto de uma serpente também da espécie  jararaca, encontrada em um quintal no bairro Caruara, na área continental de Santos. 


Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica “Alexandre Vranjac” (CVE), em 2018, foram contabilizados 2.008 acidentes por serpentes, com três óbitos no Estado de São Paulo.  E de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, dos acidentes com serpentes, 90% são causados por jararacas, espécie particularmente agressiva, cujo veneno provoca processo inflamatório local e interfere na coagulação do sangue, levando a sangramentos.


Para evitar acidentes dentro de casa e com animais domésticos é importante saber: as serpentes gostam de se entocar, portanto o acúmulo de lixo, entulho e madeira servem de esconderijo para estes animais. O ideal é manter o terreno limpo, o mato cortado e livre de ratos, que são alimento para as serpentes. 


Para combater os sintomas da picada e evitar a morte é preciso agir rápido, explica o biólogo Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan. “Em caso de acidente com qualquer tipo de cobra é preciso, primeiramente, manter a calma para raciocinar e não fazer besteira”, alerta.


O segundo passo é lavar o local atingido com água e sabão, para evitar infecções secundárias. E só então procurar um serviço médico. “As pessoas têm que ter em mente que amarrar, fazer torniquete, sugar ou cortar o local atingido pode ser ainda mais prejudicial. O ideal é que procurem o mais rápido possível o hospital de sua cidade para receber atendimento adequado”, diz Puorto.


Ele conta que o ótimo atendimento acontece entre seis e 10 horas, mas excelente mesmo é ser atendida entre três e quatro horas. “Quanto mais rápido for o atendimento, menores serão as sequelas”, diz. Ele ainda lembra que há um soro antipeçonhento específico para cada espécie de veneno. “O médico sabe qual soro usar pelos sintomas do paciente. Os sinais se diferenciam um do outro, o que dá clareza para o profissional de saúde”. As informações dadas pela pessoa picada também ajudam a conhecer o animal que a atacou, isso porque cada serpente tem a sua característica específica.


Serpentes da Mata Atlântica

Estima-se que na Mata Atlântica vivam mais de 150 espécies de cobras. A extensão paulista da Serra do Mar conta com 84, mas apenas seis peçonhentas: jararaca, jararacuçu, jararaca de alcatrazes, ilhoa (que habita a Ilha Queimada Grande, em Itanhaém), e dois tipos de coral. 


A maioria das jaracuçus são terrícolas e se alimentam de roedores. Já as jararacas são difíceis de enxergar, pois se camuflam no ambiente.


As corais costumam ser mais reservadas e se esconderem em folhagens ou embaixo de pedras e troncos. “As cobras corais se dão ao luxo de aparecer com suas cores vermelha, branco e preta, isso adverte quem está próximo. Assim, o número de acidentes com corais é de 0,5%, já com jararacas são mais de 90%”, revela Puorto.

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