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Foto: Talita Sanches

Fotógrafas produzem ensaios sensuais para valorizar autoestima feminina no litoral norte

Paisagens da região são utilizadas como pano de fundo para as imagens


25 de outubro de 2018 às 13:33
Por Reginaldo Pupo

No mundo globalizado das redes sociais, onde tudo é lindo e perfeito, graças aos recursos de filtros, photoshop e até makes digitais, duas fotógrafas de Caraguatatuba caminham na contramão desta nova tendência, para produzir ensaios fotográficos, alguns deles sensuais, cujo principal objetivo é levantar a autoestima de mulheres que, geralmente, são descontentes com seu próprio corpo.

 

Ao contrário do “vale tudo” pela melhor foto no Instagram, Facebook ou Twitter, onde a maioria das postagens feitas por jovens mulheres exibe corpos esculturais e sarados,  Guaciara Ferreira e Talita Sanches buscam identificar nas mulheres suas principais características, todas elas naturais. A dupla de fotógrafas abusa da criatividade em seus trabalhos, sua maior característica. Um tronco de árvore disposto na areia da praia, belas praias e rios com paisagens paradisíacas, contraluz ao entardecer e detalhes despercebidos aos olhos comuns. Até mesmo um veleiro é utilizado nos ensaios. Tudo serve como cenário ou motivo para belas imagens inspiradoras.

 

Além do desafio de se permitirem ser fotografadas com o mínimo de roupas, as mulheres têm um desafio ainda maior: posar para as lentes de Guaciara e Talita em lugares públicos. Elas utilizam uma técnica conhecida na fotografia como “Boudoir”, palavra francesa cujo som é  “budoar”. A técnica consiste em ensaios para valorizar, com muita delicadeza, a beleza feminina. É justamente essa beleza que as fotógrafas buscam captar em suas clientes, muitas das quais  a desconhecem.

Guaciara, fotógrafa há quatro anos, explica: “Às vezes, essas mulheres comuns não têm tempo de se olhar no espelho, de se achar bonitas. Vivem para seus maridos ou filhos e se esquecem de si mesmas. Como fotógrafa, faço com que elas percebam, por meio das imagens, que existe, sim, um sex appeal, uma mulher querendo ser amada ali dentro”.  


Talita, que está há um ano no mercado, após três anos de estudos sobre fotografia, acrescenta: “Nosso trabalho quebra os padrões de beleza e desperta a sensualidade que muitas vezes elas não imaginam que tenham”. Segundo Talita, seu trabalho busca o resgate da autoestima, do amor próprio e a aceitação do próprio corpo. “É muito legal a recepção que temos ao nosso trabalho, pois a maioria não tem noção da sua sensualidade. O olhar para ela mesma muda. Acompanho todas por redes sociais, e sinto uma gratidão imensa em poder fazer parte desse processo”, salienta Talita.

 

“Sou eu?”

 Segundo Guaciara, o maior objetivo das sessões é trazer amor próprio para essas mulheres, “que, por alguma razão, deixaram de se amar”, destaca. De acordo com a fotógrafa, as clientes reagem de diversas maneiras quando veem o resultado das sessões. “Elas olham as fotos e perguntam: ‘sou eu?’”, diverte-se. A partir do resultado, segundo ela, as mulheres começam a gostar e valorizar mais seu corpo, do jeito que elas são.

 

As locações são feitas nas casas das clientes, praias desertas, hotéis, motéis ou casas alugadas. Entre as clientes, a mais nova que passou pelas lentes de Guaciara tinha 23 anos, e a de mais idade, 50. Já Talita fotografou uma mulher de 53 anos. A mais nova tinha 19. Para deixar as mulheres à vontade para os ensaios, Guaciara revela que antes mantém uma boa conversa com as clientes e vai mostrando os resultados das fotos na própria câmera. “Elas vão se soltando e se transformam em um mulherão.  Todas ficam bonitas com uma boa luz. E ela vem de dentro”, conclui.

 

Talita também busca manter um diálogo antes da sessão de fotos. “Eu gosto muito de um bate-papo antes, me envolver mais com a cliente e deixá-la cada vez mais a vontade”.

  

“Meu melhor momento!”

 “Eu resolvi fazer o ensaio porque estou no meu melhor momento! Estou feliz comigo mesma, ou seja, estou me amando. Fomos de veleiro para a praia e a Guaciara tirou algumas fotos. Foi sensacional! Isso porque o mar estava agitado, igual a mim (risos). Gostei muito do ensaio, me senti livre, calma, e o melhor, feliz de estar ali. O momento mais tenso, se é que posso chamar de tenso, foi quando chegamos à praia. No momento não havia ninguém, mas de repente, começou a chegar. Mas não me intimidei, pois tinha um objetivo: terminar as fotos. E também não estava fazendo nada demais. E achei que ficaram ótimas as fotos. Pretendo fazer novamente”.

“Amanda” (nome fictício), 50 anos, professora (Caraguatatuba)

 

Barreiras contra o preconceito

“Ousadia! Essa é a primeira palavra quando me lembro do ensaio que realizei. Porém, uma ousadia diferente, conduzida com muita delicadeza pelo olhar da Tali. Fiquei encantada pelo trabalho e também pelos  detalhes que envolvem uma sessão de fotos e, principalmente, pelo cuidado e profissionalismo que, além de me deixar muito à vontade, me ajudou a me sentir confiante diante da câmera. Ela tem um olho mágico para enxergar beleza em todas as coisas. O resultado foi incrível! Não há nada melhor do que romper as barreiras do preconceito contra seu próprio corpo. Permitir e incentivar que outras também façam a mesma coisa Recomendo a todas as mulheres essa experiência”.

 “Ariana” (nome fictício), 19 anos, gerente (Caraguatatuba)

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