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Turistas ignoram proibição e “desfilam” com cães nas praias do litoral norte

A prática prevê multas que variam de R$ 250,00 a R$ 250 mil


13 de setembro de 2018 às 16:57
Por Reginaldo Pupo

Apesar de diversas leis municipais que proíbem a permanência de animais domésticos nas praias, alguns turistas ignoram as normas e “desfilam” com seus pets nas areias do litoral norte.  A prática prevê multas que variam de R$ 250,00 a R$ 250 mil. A fiscalização é feita pelas prefeituras e algumas delas contam com apoio da Polícia Militar. As multas aplicadas são de R$ 35 a R$ 105, em Caraguatatuba, de R$ 500, em Ilhabela, R$ 600, em São Sebastião, e de R$ 250,00 a R$ 250 mil, em Ubatuba. Nenhuma infração foi aplicada pelos municípios em 2017 e nesse ano.

A proibição ocorre devido aos riscos de transmissão de doenças infectocontagiosas, feita por meio do contato das fezes dos animais. O problema pode se agravar com a chegada da temporada de verão, época em que as quatro cidades da região (Caraguatatuba,  Ilhabela,  São Sebastião e Ubatuba) recebem cerca de dois milhões de turistas. No último verão, as duas últimas cidades registraram casos de contaminação por bicho geográfico (larva migrans cutânea).

A universitária Clara Letícia Ascêncio, 25 anos, de São Carlos, foi uma das turistas contaminadas. Ela estava com um grupo de 40 amigos da faculdade, na praia de Maresias, em São Sebastião. Segundo Clara, ao menos 15 deles foram contaminados pela larva conhecida.  “Após percebermos a contaminação, passamos a tomar vermífugo e aplicar uma pomada. Eu e um amigo fomos contaminados já nos primeiros dias. A contaminação dos demais surgiu nos dias seguintes”, disse ela, que foi contaminada nos pés. “Havia muitos cachorros na praia e não vimos nenhuma fiscalização”.

As prefeituras da região dizem não possuir números oficiais dos casos, pois não existem normativas que tornem obrigatórios os registros da doença. Banhistas infectados geralmente não buscam auxílio médico e preferem adquirir pomadas em farmácias, contribuindo para que os órgãos não tenham dados sobre as ocorrências.

 

Hostilidade

O administrador de empresas João Carlos Nepomuceno, 39 anos, que possui uma casa de veraneio na praia de Guaecá, em São Sebastião, disse: “Toda vez que abordo pessoas com cachorros na praia, o discurso delas parece ser padrão. De forma bastante hostil e se achando os donos da praia, dizem que os animais são bem tratados, vacinados e que não oferecem riscos a ninguém. Para completar, afirmam que o ser humano é pior que os animais, por jogar e deixar lixo nas praias. Há certa razão nisso, mas trata-se de uma questão de saúde pública e isso deve ser respeitado”.

A reportagem observou dezenas de cães com seus donos, na praia de Guaecá, e também no mar, mesmo com a existência de placas informativas sobre a proibição. Em férias em São Sebastião, a nutricionista Carla Pompeu Azeredo, 26 anos, caminhava com seu cachorrinho da raça chow chow na praia de Guaecá, no último feriado de 7 de setembro. Questionada, disse não saber sobre a existência da lei. “Gente, verdade? Eu não sabia! Será que vão me multar?”.

A poucos metros dali, o professor de educação física Gerson Barrios, 22, brincava com seu dorbeman na beira do mar. “Vim dar um passeio de apenas cinco minutinhos com ele e já estamos indo embora”, despistou, após ser informado sobre a proibição.

Os monitores da Associação de Surfe, Cultura e Ambiente da praia de Camburi (Ascam), também em São Sebastião, dão “cartão amarelo”, com a cópia da lei municipal e o valor da multa de R$ 600, aos banhistas que levam seus cachorros à praia.  “Os turistas foram orientados e a maioria se retirou da praia com os cães”, disse o presidente da entidade, Edson Lobato. Para os que permaneceram, os agentes colocaram um banner ao lado dos donos dos cães com os dizeres:  “Gente civilizada não leva cães à praia. Colabore”.

 

Doenças

O médico veterinário Raphael Hamaoui, do Hospital Veterinário Cães e Gatos, de Osasco, na Grande São Paulo, diz que os animais domésticos podem transmitir várias doenças, entre elas, o bicho de pé, causado pela pulga Tunga penetrans, o “bicho geográfico”, micoses na pele e verminoses como giardíase e isosporose. “Os mais acometidos pelas doenças são as crianças, que, normalmente, têm mais contato com a areia. Mas os adultos também são afetados, já que andam descalços pela praia e sentam na areia. Outro inconveniente de levar o cão à praia é que muitos donos deixam seus animais soltos, sem guia, e eles podem atacar alguém, provocando um sério acidente”.

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