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CEI da Cava escuta ambientalistas e representantes de entidades sociais

Ambientalista afirma que os sedimentos altamente contaminados com resíduos tóxicos não podem ser simplesmente retirados


10 de março de 2018 às 11:43
Por Da Redação
A reunião abordou irregularidades na construção de cavas subaquáticas no Canal de Piaçaguera
A reunião abordou irregularidades na construção de cavas subaquáticas no Canal de Piaçaguera Foto: Rodrigo Palassi

A Comissão Especial de Inquérito (CEI), que investiga supostas irregularidades no processo de construção de cavas subaquáticas no canal de Piaçaguera, em Cubatão, realizou, na manhã de segunda-feira, 5, a primeira reunião. O encontro ocorreu no plenário da Câmara e reuniu ambientalistas e representantes de entidades sociais. O vereador Ricardo Queixão (PDT), presidente da CEI,  mediou os trabalhos.

O ambientalista Aluísio Gomes, membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Cubatão, disse que a implantação de cavas subaquáticas ocorreu num período em que empresários e gestores não tinham nenhuma consciência ambiental. Ele acredita que os sedimentos altamente contaminados com resíduos tóxicos, que estão debaixo da água, não podem ser simplesmente retirados. Numa analogia entre cava e cova, Gomes afirmou: "Não se desenterra morto".

Gomes criticou a leniência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no que se refere ao seu papel fiscalizador. Ele ainda questionou a falta de estrutura da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que, segundo ele, não consegue atender às demandas do município no setor. O ambientalista encerrou sua fala, sugerindo o estabelecimento de um termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no qual as empresas responsáveis pelas cavas sejam obrigadas a instalar uma ala de queimados no Hospital Municipal de Cubatão, além da construção de unidades de ensino.

Já Marli Vicente da Silva, presidente do Instituto Socioambiental e Cultural da Vila dos Pescadores, acredita que existem mecanismos para despoluir a área contamianda pelas cavas subaquáticas. "O mangue hoje pede socorro", clamou a líder comunitária. Ela recordou o incêndio na Ultracargo, em 2015, que provocou a morte de toneladas de peixes. Segundo Marli, a empresa apenas ofereceu um curso de qualificação profissional para os pescadores prejudicados pelo incidente, enquanto para a cidade de Santos a indenização chega a R$ 40 milhões.

Participaram da reunião o presidente da Câmara, Rodrigo Alemão (PSDB), e os vereadores Wilson Pio (PSDB), Lala (SD), Marcinho (PSB), Cléber do Cavaco (PRB) e Toninho Vieira (PSDB); o representante do Instituto Maramar Fabríio Gandini e o advogado Alex Santos Gomes da Silva, além de representantes da sociedade civil.

A Cetesb, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e a Usiminas foram convidadas a participar da reunião aberta, mas não enviaram representantes. Em breve, a CEI divulgará a data do próximo encontro.

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