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Adriano de Souza é campeão mundial com vitória em final brasileira no Billabong Pipe Masters


18 de dezembro de 2015 às 12:37
Por Costa Norte

*Foto: Kirstim Sholtz/WSL

Num dia histórico Adriano de Souza e Gabriel Medina festejaram feitos inéditos para o Brasil na Meca do surfe mundial. Medina foi o primeiro brasileiro a conquistar a prestigiada Tríplice Coroa Havaiana, tirando Mick Fanning do caminho de Mineirinho, que conseguiu o seu tão perseguido troféu de campeão da World Surf League, ao derrotar o havaiano Mason Ho na outra semifinal. Pela primeira vez, o Billabong Pipe Masters foi encerrado com uma decisão verde-amarela no Havaí, e Adriano de Souza tornou-se o primeiro brasileiro a ser campeão no maior palco do esporte, com Medina repetindo o vice-campeonato do ano passado nos tubos de Pipeline e Backdoor.

Adriano, em lágrimas, disse: "É um sentimento incrível e especial poder dedicar esse título ao meu grande amigo Ricardo dos Santos (surfista especialista em tubos, assassinado no início do ano em frente a sua casa na Guarda do Embaú-SC). Eu quero agradecer a Deus por esse momento, eu sou muito abençoado por Ele e pelo Ricardo lá em cima. Eu fiz uma homenagem para ele, está aqui na minha pele para sempre (mostrando a tatuagem), que diz ‘Força, Equilíbrio e Amor’ e era o que eu precisava para ganhar este título mundial. Vou carregar a alma dele junto comigo e sei que ele vai estar comigo onde eu estiver, porque eu tinha muito respeito por ele aqui na Terra".

Muito emocionado, Mineirinho também lembrou seu início sofrido no esporte, por ser de uma família humilde de Guarujá. "Eu também dedico esse troféu de campeão do mundo ao meu irmão (o Mineiro que originou seu apelido) que, por 30 Reais, comprou uma prancha de surfe para mim quando eu era criança. Na época, eu sei que era muito dinheiro para ele poder comprar essa prancha e hoje eu estou no topo do mundo por 30 Reais, então muito obrigado meu irmão, eu te amo, amo toda a minha família e não vejo a hora de ver todos vocês com esse troféu gigante nas minhas mãos".

No dia em que Adriano de Souza conquistou o segundo título mundial consecutivo do Brasil no Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour, com ele recebendo o seu tão desejado troféu das mãos do campeão do ano passado Gabriel Medina, no pódio do Billabong Pipe Masters, as condições do mar estavam muito difíceis. Poucas ondas boas entravam nas baterias e a maioria foi decidida com notas baixas, pois eram raros os tubos que não fechavam rapidamente nas séries de 4-6 pés da quinta-feira, 17, em Pipeline.

Sem tubos, Medina usou até a sua arma mortal, um aéreo full-rotation muito alto, para derrotar o australiano Mick Fanning na semifinal que valia o título da Vans Triple Crown of Surfing. Além disso, abriu a chance para Mineirinho se sagrar campeão mundial contra o havaiano Mason Ho.  "No meio do ano, eu achei que o Mick (Fanning) merecia o título mundial mais do que eu", disse Adriano de Souza, talvez pelo ataque do tubarão ao australiano em plena final da etapa de Jeffreys Bay, na África do Sul. "Ele é muito forte e ter um tricampeão lutando comigo pelo meu primeiro título mundial não foi fácil. Eu quero dar os melhores votos para o Mick e sua mãe (o irmão mais velho do australiano faleceu quarta-feira na Austrália), mas acho que o dia da minha vida chegou. É um sonho também ser campeão do Pipe Masters, como o Jamie (O´Brien), o Kelly (Slater), o Bede Durbidge, entre tantos nomes que estão passando pela minha cabeça. Não tenho palavras para descrever como estou me sentindo agora".

Campeão da Tríplice Coroa

A busca incessante pelas ondas marcou a participação brasileira nas semifinais que definiram o campeão mundial da temporada 2015 da World Surf League. Mick Fanning abriu a primeira bateria, que também decidia o título da Tríplice Coroa Havaiana, completando um tubo difícil que valeu nota 7,33. Enquanto pacientemente ele mantinha a prioridade de escolha da próxima onda, Medina corria atrás, pegando quase todas que Fanning deixava passar.

Procurou tubos nas esquerdas de Pipeline, nas direitas do Backdoor, sem achar nada parecido com o do australiano, mas estava na disputa com notas 4,10 e 3,67. Fanning logo computou um 3,03 para se manter na frente com 10,36 pontos, então Medina usou sua arma mortal na esquerda que pegou no minuto final da bateria, um aéreo full rotation muito alto que arrancou nota 6,50 e a vitória por 11,33 pontos. Medina então se tornou o primeiro brasileiro a ser campeão da Tríplice Coroa Havaiana com a passagem para a final do Billabong Pipe Masters. Nas outras duas etapas, ele foi até as semifinais tanto em Haleiwa, como em Sunset Beach.

Gabriel Medina disse: "Estou feliz por ser o primeiro brasileiro a vencer a Tríplice Coroa, que era, na verdade, o meu objetivo quando vim para o Havaí. Este ano foi um pouco difícil para mim, quando eu perdi cedo nos quatro primeiros eventos. Aí todo mundo dizia que eu não tinha mais chance de disputar o título mundial, então estou feliz por chegar aqui ainda na briga até o último dia. A bateria com o Mick (Fanning) foi bem difícil, mas consegui a pontuação que eu precisava no último minuto e estou feliz em fazer outra final aqui em Pipeline. Estou feliz também porque o Adriano (de Souza) ganhou o seu primeiro título mundial e do Pipe Masters. Sei que ele vinha sonhando com isso há muito tempo e fez tudo que podia para conseguir, então mereceu".

Seleção brasileira 2016

Os melhores surfistas do mundo voltam em 2016 para a abertura da temporada no início de março, na Gold Coast, em Queensland, na Austrália. No ano que vem, a "seleção brasileira" que dominou 2015 com os títulos de Mineirinho e Medina e ainda o potiguar Italo Ferreira, premiado como o Rookie of the Year, estreante do ano, terá três reforços classificados pelo WSL Qualifying Series, Caio Ibelli que foi o campeão do ranking, o também paulista Alex Ribeiro e o catarinense Alejo Muniz, que volta à elite depois de um ano fora. Agora serão dez brasileiros entre os top-34 da World Surf League, contando com os sete desse ano, os campeões mundiais Adriano de Souza e Gabriel Medina, Filipe Toledo, Italo Ferreira, Wiggolly Dantas, Jadson André e Miguel Pupo, todos de São Paulo.

 

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