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Campeões de kickboxing no Caruara


20 de novembro de 2017 às 17:21
Por Estela Craveiro
Moradores do bairro aprendem o conjunto artes marciais e boxe em projeto que acaba de ganhar espaço na Sociedade de Melhoramentos do Caruara


Em um ano e oito meses de atividade, o Projeto Luciano Team Kickboxing conquistou para o Caruara, bairro localizado na fronteira entre Bertioga e Santos, município ao qual pertence, nada menos do que dois títulos da Confederação Brasileira de KickBoxing (CBKB).

Na Copa Cubatão de Kickboxing, realizada em 5 de novembro, Elber Lima sagrou-se campeão da categoria K1 75kg, e Paulo Freitas tornou-se o campeão da categoria Kick Light até 14 anos. Na mesma competição, Wesley Guimarães e Marcelo Gualberto terminaram como vice-campeões na K1 63,5kg e K1 71,8kg, respectivamente. E há ainda quatro campeões e seis vice-campeões em torneios de outras organizações entre os discípulos de Luciano Ferreira Martins.

Para alcançar esses resultados, a rapaziada pega pesado em duas horas de aula nas noites de segunda, quarta e sexta-feira. São 30 alunos, incluindo duas meninas, com idades entre 11 e 32 anos. As aulas começaram em um espaço cedido e logo perdido, migraram para uma praça do bairro e depois continuaram na casa de Luciano, morador do Caruara. Mas, desde o início de novembro, os treinos passaram a ser feitos na Sociedade Melhoramentos do Caruara, associação de moradores que ocupa o imóvel onde antes funcionava um centro cultural da prefeitura, a convite da nova diretoria, comandada pelo presidente Robson Alonso.

Os objetivos dele e o de Luciano, que é lutador profissional, professor de kickboxing em uma academia de Santos e personal fighter, são comuns. “Em primeiro lugar, convidamos para dar um espaço para ele treinar os meninos, um lugar que pertença mais ou menos a eles para praticar essa atividade. O objetivo dele de tirar o pessoal da rua é o que importa. Melhor lutar do que estar na ociosidade. Além do kickboxing, aqui no bairro temos judô e canoagem. E a gente vê que a garotada que se dispôs ao esporte tem dado bons frutos e tem trazido bastante alegria para nós”, justifica Robson.

Mas os resultados podem ir além, com a possibilidade de profissionalização como lutador, como ocorreu com Luciano, que é vice-campeão sul-americano de MMA de 2017 pela União Latino-Americana de Lutadores de Artes Marciais Profissionais (Ullamp) na categoria até 70 kg; campeão-sul americano de 2002 pela Confederação Brasileira de Contato Total Português (CBCTP); e irá disputar o Torneio Sul-Americano de Kickboxing, da CBKB, de 30 de novembro a 3 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR). “Eu procuro dar oportunidades, como a sociedade me deu um dia, ajudando talvez a formar atletas, professores e até lutadores profissionais. Mas só de tirar os jovens do ócio já é um grande ganho”, diz o professor.

As aulas estão fazendo a diferença na vida dos alunos. “Sempre tive vontade de participar de um esporte como o kickboxing. Quando o projeto apareceu, simplesmente apoiei. E vendo o trabalho do mestre Luciano conosco, a dedicação dele, decidi continuar”, conta Wesley Guimarães. Para Marcelo Gualberto, a prática do kickboxing se tornou muito importante: “A gente aprende a disciplina, a respeitar não só dentro da aula, mas fora também, e minha saúde melhorou bastante”.  Ficar mais saudável é a motivação de Alberto Aparecido, que auxilia Luciano como assistente nas lutas e quer se tornar professor: “Você ganha mais disposição e flexibilidade”. Já Mike Peres da Silva está lá visando o mundo da competição. E o adolescente Isac usa a prática para eliminar excesso de peso e ganhar músculos.

Criado no Japão, nos anos 1950, o kickboxing reúne os socos do boxe e os chutes de várias artes marciais, como taekwondo, karatê e muay thai. Traz elasticidade, melhora a coordenação motora e fortalece a musculatura. Em decorrência, vem a sensação de segurança para os praticantes, por saberem se defender. Mas, junto, vem a tranquilidade mental. Como em toda arte marcial, enfatiza-se a disciplina e ensinam-se técnicas de relaxamento e meditação. As aulas de Luciano incluem ainda ensinamentos defesa pessoal. Mas, ele adverte, o contato corporal diante de ameaças deve ser evitado ao extremo: “A melhor defesa é sair correndo”.

Uma novidade do projeto para os próximos dias é o início de aulas exclusivas para garotas. Mais focados na formação de atletas, os treinos serão conduzidos por Carla Cristina Cassimiro, esposa de Luciano, que também é praticante de kickboxing. Com a Sociedade de Melhoramentos, ele quer ampliar as opções esportivas do bairro, e busca o apoio da Secretaria de Esportes de Santos para a implantação de provas de pedestrianismo e gincanas esportivas no Caruara. O Projeto Luciano Team Kickboxing se mantém com materiais comprados com algum dinheiro obtido por meio de rifas e com contribuições pessoais de Luciano e dos alunos, que são os responsáveis pela administração financeira. Até agora, poucas doações surgiram, e, como elas, naturalmente patrocínios seriam bem vindos.

Estela Craveiro

foto: JCN

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