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Estudo sugere que prática da yoga previne envelhecimento


31 de julho de 2017 às 18:00
Por Costa Norte
Comparado a quem nunca praticou yoga, mulheres idosas praticantes apresentam córtex pré-frontal esquerdo do cérebro mais espesso


Cientistas do Instituto do Cérebro (Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein), da Universidade Federal do ABC e da Harvard Medical School fizeram imagens do cérebro de mulheres idosas praticantes de yoga e encontraram um córtex pré-frontal mais espesso em regiões associadas a funções cognitivas como atenção e memória. Os resultados sugerem que o yoga pode ser uma maneira de proteger o cérebro contra o declínio cognitivo que ocorre no envelhecimento.

Quando envelhecemos, ocorrem mudanças estruturais e funcionais do cérebro e isto frequentemente leva ao declínio cognitivo, incluindo deficiências na atenção e memória. Uma das mudanças é a redução da espessura do córtex cerebral, o que os cientistas têm associado ao declínio cognitivo.

Elisa Kozasa, pesquisadora do INCE/IIEP do Einstein e orientadora do estudo recentemente publicado na Frontiers in Aging Neuroscience explica que o yoga estimula o cérebro. “Da mesma maneira que os músculos, o cérebro também se desenvolve com o treinamento” explica. “Como qualquer prática contemplativa, o yoga tem um componente cognitivo em que atenção e concentração são importantes”.

Estudos anteriores sugeriram que o yoga pode trazer benefícios à saúde similares ao exercício aeróbico, e que praticantes da modalidade têm mostrado melhoras na consciência, atenção e memória. Idosos com declínio cognitivo leve têm também apresentado melhoras de seus sintomas após um breve treinamento em yoga.

O grupo de pesquisa quis verificar se praticantes de yoga há longo tempo tinham diferenças em termos da estrutura cerebral comparado a idosos saudáveis, que nunca praticaram a modalidade. Eles recrutaram 21 mulheres que praticavam pelo menos duas vezes por semana, por um mínimo de 8 anos, apesar do grupo ter uma média de aproximadamente 15 anos de prática.

Os pesquisadores compararam as yoginis com outro grupo de 21 mulheres saudáveis, que nunca praticaram yoga, meditação ou outra prática contemplativa, mas que foram pareadas com as yoginis em termos da idade (todas com mais de 60 anos) e níveis de atividade física. Para resultados mais consistentes, os pesquisadores recrutaram somente mulheres, e elas completaram questionários para avaliação de outros fatores que poderiam afetar a estrutura cerebral como depressão ou anos de educação formal.

Os pesquisadores fizeram as imagens do cérebro das participantes através da ressonância magnética funcional para verificar se haviam diferenças na estrutura cerebral. “Nós encontramos maior espessura cortical no córtex pré-frontal esquerdo nas yoginis, em regiões associadas com funções cognitivas como a atenção e memória”, menciona Rui Afonso, doutorando e autor principal do estudo. Como os grupos foram muito bem pareados em termos de outros fatores que podem modificar a estrutura cerebral, como níveis educacionais, e de depressão, a prática do yoga parece ser o fator subjacente à diferença estrutural dos cérebros.

Os resultados sugerem que a prática do yoga no longo prazo, pode mudar a estrutura do cérebro e pode proteger contra declínios cognitivos com a idade. Porém, o grupo planeja realizar mais estudos para verificar se estas diferenças cerebrais podem resultar em melhor performance cognitiva nas yoginis idosas. Outra possibilidade é que pessoas com estas diferenças estruturais seriam mais propensas a praticar yoga.

Foto: Getty Images

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