Turismo planejado - uma alavanca da economia - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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No verão, as altas temperaturas aumentam a procura pelas praias e fazem com que o número de pessoas em Bertioga salte exponencialmente. Somente na virada de ano, as estimativas apontam cerca de 400 mil pessoas na orla, para assistir à queima de fogos de artifício, todos os anos. Apesar das belezas naturais da cidade e tantos outros potenciais turísticos, quem atua no setor garante que o grande desafio é transformar o público de praia e sol em cativo o ano inteiro.

Trilha Casa de Pedra do rio Itapanhaú
Trilha Casa de Pedra do rio Itapanhaú Foto: Diego Bachiéga

As possibilidades de ganhos pelo setor podem ser verificadas ao analisar os dados do Ministério do Turismo. O órgão indica a realização de 75,5 milhões de viagens, entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, em todo o país, das quais o maior contingente de turistas destina-se ao estado de São Paulo, com cerca de 13,65 milhões de viagens no período. Com isso, a venda de produtos e serviços pelo trade, além da geração de emprego e renda, impulsionam a economia.


A união das empresas de hospedagem, passeios e alimentação de Bertioga começou a obter resultados positivos na temporada de verão passada, conforme afirmam empresários e pessoas envolvidos com turismo. Um dos motivos é a organização entre hoteleiros e pousadeiros, para a promoção de saídas de turistas para trilhas e, até mesmo, a troca de informações entre eles sobre a existência de vagas, já que muitos turistas chegam sem reserva e encontram os locais lotados.


Quem conta sobre essa mudança é a empresária Adriana Veronesi Ferreira, da pousada Clariô. Desde o fim de 2017, ela integra um grupo da rede de hospedagem de Bertioga, que iniciou pequeno, com apenas quatro empresas e, atualmente, já possui cerca de 30. Para ofertar passeios de ecoturismo, para atrair visitantes, o grupo criou um projeto vinculado a agências de turismo do município, para programar datas e oferecer pacotes com antecedência, nos sites das próprias pousadas e hotéis, ou em portais como o Booking.com e o Airbnb.


A última fase de programação destes pacotes para temporada ocorreu no início de janeiro e, assim que terminou, a parceria deu tão certo que, em vez de o setor de hospedagem procurar as agências, ocorreu o inverso. Ela detalha: “Em vez de termos uma agenda para nossos hóspedes, eram as agências de turismo que nos passavam: ‘Vamos sair com um grupo já formado; vocês têm hóspedes para incluirmos nesse grupo?’”.

Ecoturismo na prática

Bruno D´Ângelo e Isis Andrade
Bruno D´Ângelo e Isis Andrade Foto: Via Eco

O ecoturismo, definido como um ramo do setor que utiliza o patrimônio natural e cultural de maneira sustentável e incentiva sua conservação, é uma das vertentes em crescimento na cidade. Helena Sotero, sócia-proprietária da escuna Gênesis, conta que, além do passeio tradicional, com saída do canal de Bertioga em direção a praias vizinhas, quando o tempo está entre nublado e chuvoso, há procura pela saída apenas pelo canal. Nessa viagem, a tripulação conhece os ecossistemas locais e, por isso, essa rota é costumeiramente procurada não somente por turistas, mas por escolas da região ou da capital. Ela detalha: “Quando os professores de biologia querem fazer alguma aula ligada ao meio ambiente, eles solicitam o passeio de ecoturismo durante o inverno e durante a semana”.

Helena Sotero
Helena Sotero Foto: Arquivo pessoal

Para ela, além do trade mais unido, outro fator positivo sentido nesta última temporada foi um maior incentivo da prefeitura na divulgação da cidade em eventos relacionados ao setor. “Eles deram oportunidade para divulgarmos a cidade em feiras, eventos grandes como o São Paulo Boat Show e o Adventure Fair. Foi uma oportunidade boa que acabou atraindo mais turistas para a cidade”.

Outro roteiro de ecoturismo na cidade, durante a temporada, as trilhas d’Água e de Guaratuba, também tiveram mais procura. Ambas ficam no Parque Estadual Restinga de Bertioga (Perb), área de preservação gerida pelo governo do estado. Desde 2015, quando foram abertas pela Fundação Florestal, havia estudos sobre a possibilidade de abertura de mais trilhas pelo órgão estadual e, em fevereiro, foi anunciado que duas entidades da cidade seriam responsáveis pelo uso de mais dez trilhas. A visita só é permitida com monitores ou agências cadastrados.

Trilha D´Água
Trilha D´Água Foto: Via Eco


Adriana Veronesi Ferreira comenta que a cidade ainda não é vista por seus hóspedes, a princípio, como um destino de ecoturismo, mas a partir do momento em que conhecem essa opção, eles se interessam e querem usufruir dos atrativos. “Eles acabam enxergando que Bertioga não é só praia e sol; que a cidade está começando a ficar igual a alguns outros lugares que eles já foram passar férias, viajar, que tinham uma programação de roteiros, um dia para cada lugar”.


Para atrair o público de ecoturismo, ela afirma que o trade tem investido em divulgação pela internet, direcionado a esse perfil, no entanto, o grupo do setor de hospedagem percebeu, também, que o retorno é demorado, por isso, acredita também que o apoio do poder público é fundamental para o desenvolvimento do setor.


Bruno D’Ângelo e Isis Andrade, da agência de ecoturismo Via Eco, acreditam que a internet aumentou a procura pelas trilhas, e contam que as altas temperaturas do verão passado, cujas máximas frequentemente apresentaram sensação térmica acima dos 40ºC, na cidade, também contribuíram para isso. Isis explica: “Estava muito quente, então, por isso, também a procura pelo refresco, a água gelada das cachoeiras, o rio, porque, às vezes, a própria praia se torna difícil. Por exemplo, se estiver com criança ou idoso, a pessoa vai ficar na areia debaixo de sol quente? Não. Procura um lugar de sombra e água fresca, né? Acho que isso tem que ser levado em conta”. Outro aspecto, lembrado por Bruno, é de que, com a cidade lotada, muitas pessoas quiseram sair dos lugares comuns, e procuraram atrativos diferentes.


Ambos também acreditam que o perfil do turista que visita a cidade tem melhorado o que, inclusive, reflete nas trilhas, já que os visitantes têm se conscientizado e menos sujeira tem sido encontrada no percurso, além de parar de ocorrer alguns abusos, como motociclistas, barracas e até churrasco no local. Bruno conta: “Às vezes, eu estava com um grupo e precisava avisar sobre motocicletas vindo em nossa direção. Todos se encostavam no matinho e passavam cinco motos com menores de idade”. Todas essas situações irregulares foram denunciadas à Fundação Florestal.

Turismo histórico e cultural

O turismo histórico e cultural, pelo qual o viajante conhece o patrimônio artístico e arquitetônico e manifestações populares, é outro segmento destacado pelo trade como mais uma potencialidade para o setor, passível de  aprimoramento. Muito além das tradicionais festas da Tainha e do Camarão na Moranga, que atraem centenas de pessoas à cidade, no inverno, Bertioga possui a fortaleza mais antiga do Brasil, o Forte São João, sem contar com a aldeia indígena do Rio Silveiras, cujo território fica na divisa com São Sebastião.


Bruno D’Ângelo enaltece a importância da história da cidade, que se funde com a do Brasil e, se fosse mais dirigida para o turismo, incentivaria o respeito pelo local e sua cultura. “Em minha opinião, a história tinha que ser o aspecto mais valorizado, porque, dessa forma, se valorizam outros segmentos. Se a pessoa conhece Bertioga pela história, o meio ambiente estará protegido e as culturas caiçara e indígena, também”. Ele acredita que haveria essa influência, porque as pessoas seriam convidadas a olhar ao seu redor pelo prisma histórico, por tudo o que foi preservado ao longo dos anos e permanece, como o Forte São João, que concorre ao título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco.


Outra forma de viagem pela história, na opinião de Isis Andrade, seria a entrada do canal de Bertioga, que, na época da colonização, era uma via estratégica por dar acesso às vilas de São Vicente e Santos. Ela finaliza: “Nós fazemos parte direta da história do Brasil”.

Turismo de negócios

O turismo tem outra vertente, além da busca por belezas naturais e enriquecimento cultural, por exemplo. A escolha pela cidade pode decorrer de motivos profissionais, o chamado turismo de negócios. Em novembro de 2018, a cidade recebeu o maior seminário estadual do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), o que proporcionou a vinda de aproximadamente 3.500 pessoas para a cidade – entre profissionais e seus familiares - em uma programação de três dias, com palestras, visitas técnicas e discussões.

Foto: Divulgação/Crea-SP


Por ser caracterizado como turismo, devido à demanda por hospedagem, alimentação e lazer, este segmento agrega valor à economia. Somente em três dias de evento do Crea-SP, a estimativa da prefeitura foi de movimentação  aproximada de R$ 1 milhão, para o município.


A vinda do evento para a cidade foi incentivada e organizada pela Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bertioga (AEAAB) e Crea-SP.  Paulo Velzi, presidente da AEAAB, defende: “Esse é o tipo de evento que precisamos trazer; foram visitas técnicas, e a maioria do pessoal saiu de queixo caído, querendo voltar. Eu acho que nesse ano eles vão para o interior, não sei se conseguiremos trazê-los novamente porque é itinerante, mas no litoral, eles virão aqui sempre”.


Ele comentou que o apoio do Sesc Bertioga, para a realização da programação, foi fundamental, devido ao espaço cedido para um seminário dessa magnitude. Outro aspecto ressaltado pelo presidente da AEAAB é a carência de estrutura de hospedagem no município, para uma recepção deste porte. “Turismo de negócios precisa de hotéis. Somos ruins de vagas de boa qualidade, de bons hotéis, somos carentes, e por quê? Porque nosso turismo está se transformando em um turismo de baixa renda”.


Para exemplificar, Paulo comenta a desordem promovida pelos chamados ‘farofeiros’, na praia, o que afasta não apenas os turistas que movimentam a economia, com hospedagem e alimentação, mas possíveis investidores que poderiam construir novos empreendimentos, como hotéis de frente para o mar. Disse ele: ‘Enquanto tivermos que atender o turista de massa nos melhores pontos da cidade, vamos perder dinheiro do turismo”.


Turismo fotográfico

Foto: Renata de Brito

Este segmento ainda pouco explorado no país é outra alternativa para o setor,  também realizada, neste ano, pela AEAAB, com a volta do Revela Bertioga, iniciado em 2012 pelo renomado fotógrafo Du Zuppani. O evento, incluído no calendário oficial da prefeitura desde 2016, deve ocorrer sempre em novembro. Para 2019, a proposta dos organizadores, com o apoio do Sesc Bertioga e da prefeitura, é  incentivar cursos e saídas fotográficas durante o ano, até o evento. Paulo Velzi comenta que o intuito é popularizar, por meio do celular, e abranger variados tipos de fotografia, como urbana, natureza e pessoas.


Desde o início, o Revela Bertioga foi divulgado como uma forma de promover a cidade como destino fotográfico o ano inteiro e, assim, estimular o turismo além da temporada. Inclusive, o período preferido dos fotógrafos para bons cliques não é com a cidade repleta de turistas.


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