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No último ano de seu mandato, o atual prefeito Mauro Orlandini mostra-se tranquilo em relação a sua performance à frente da administração bertioguense, apesar de ter enfrentado períodos de descrédito por parte da população, devido principalmente ao atraso no início de obras de infraestrutura urbana no município. Diz que a meta de seu governo foi priorizar o lado humano, como fortalecimento da célula da sociedade, definida por ele como a família, com investimentos em saúde, educação e segurança. Por outro lado, defende que planejamento e infraestrutura urbana nunca foram deixados de lado,mas que a burocracia dos setores e, a sua própria forma de governar, com exigência de qualidade, foram responsáveis pela demora no início das execuções dos diversos serviços que, só agora, ponteiam por toda a cidade nos mais diversos setores.

Foto: Arquivo JCN

O senhor foi o primeiro prefeito de Bertioga. Depois se afastou do cenário político municipal; o que o fez voltar?  

A experiência que eu tive como administrador de Bertioga, depois a primeira gestão na prefeitura, e em seguida na Associação Paulista de Municípios.Isso abriu um leque bastante grande e foi o que fez com que eu me candidatasse novamente até para aproveitar esse conhecimento, essa maturidade para o momento que Bertioga estava passando. Acreditei que ela precisava dessa estabilidade. Mesmo sabendo o risco que eu estava correndo, por não conseguir resolver todas as questões,principalmente no tempo que a comunidade queria.  

O senhor avalia que este mandato foi mais difícil que o anterior?  

Na campanha eu já falava sobre isso. Que tem muitas coisas que são difíceis de resolver e outras que nem conseguimos encontrar soluções que agradem a todos num primeiro momento. Isso porque, eu tinha uma experiência, tinha uma vivência e sabia avaliar. Sabia que ia ser difícil e foi difícil.  

Quais foram as maiores dificuldades?

  As legislações estaduais e federais mudaram muito desde o meu primeiro mandato, os conceitos, a própria autonomia, o prefeito acaba ficando engessado. 

Qual o perfil de seu governo?  

Eu tenho a preocupação de que a minha administração seja voltada para o coletivo. É essa a essência que eu passo para a minha equipe, trabalhar o coletivo, não fazer favorzinho pessoal. Você poder chegar no hospital descalço ou de terno e ser tratado igual; conseguir uma vaga na creche de acordo com a ordem que a mãe fez a inscrição; ninguém passar na frente de ninguém, esse é o norte de nossa administração.

 O senhor considera o seu governo mais voltado para o lado humano?

Sim. O tema de campanha era o resgate da alto estima da comunidade. Embora a comunidade costume avaliar e julgar segundo o que vê, e nisso as obras acabam sendo mais esperadas. Existe uma obra muito maior do que a física. Por isso,num primeiro momento, a gente preferiu investir no fortalecimento da célula base da sociedade que é a família.

De que forma?

Nós temos hoje 38 cursos oferecidos gratuitamente para mais de 7 mil crianças em várias modalidades culturais e esportivas. Priorizamos a saúde, a educação e a segurança, e hoje a comunidade tem muito mais motivos para ter felicidade. Temos um hospital e um pronto-socorro decentes, a cidade foi citada na revista Veja como a mais segurada região. Claro que temos problemas e muita coisa para resolver, mas estamos no caminho.  

Qual setor o senhor considera a menina dos olhos de seu governo atual?  

A saúde. O bom prefeito é aquele que ousa, que faz uma grande obra. Acredito que a maior obra que a gente fez foia decisão de fazer um investimento milionário na saúde, com a contratação de uma empresa gestora, para que a nossa comunidade pudesse dormir sossegada.Nós fomos buscar uma ferramenta, um instrumento para gerir da melhor maneira possível. O resultado está aí, contra fatos não tem argumento. A comunidade está vivenciando isso. Ela sabe a diferença do que a gente tinha e do que agente tem hoje.  

Mas a infraestrutura urbana também é importante.  

Concordo. E nós temos uma grande quantidade de obras em execução, engatilhadas para começar ou em processo de licitação. Podem não estar prontas,mas já são uma realidade. Bertioga nunca teve tantas obras, tanto investimento na restauração da cidade.  

E qual o tempo estimado para entrega destas obras?  

De um a dois anos a gente tem tudo isso aí terminado. Tem obras que são um pouco mais complexas, como, por exemplo, a revitalização da orla. Agora nós estamos terminando a primeira parte, estamos licitando a segunda, e já preparando a terceira. O estado, por meio da Dersa, já está praticamente com tudo preparado para implantar o novo atracadouro da balsa no Jardim Veleiros. 

Por que elas demoram tanto a sair?

Eu não consegui vencer tanta burocracia, licenças, autorizações, reaprovações de projetos, num tempo diferente; por isso elas estão acontecendo agora. 

Há quem diga que são obras eleitoreiras; o que o senhor diz a respeito disso?

Não foi por minha vontade que elas só saíssem agora; de forma alguma são eleitoreiras. Elas teriam muito mais fartura eleitoral se já estivessem prontas um ano atrás.

Dizem que o senhor pensa demais, que é um sonhador; o senhor concorda?  

Sim, sim! Eu sou um sonhador, no dia em que eu parar de sonhar eu morro.

E o senhor passa isso para o seu governo, de alguma forma?

 Sim, o pensar muito antes de fazer, fazer bem feito. Fazer uma vez só, de forma definitiva. Um exemplo está em Vicente de Carvalho II, uma obra que estava previsto um gasto de R$ 28 milhões.Nós fizemos ajustes e algumas exigências e a obra saiu por R$ 69 milhões. Eu não acredito que projeto habitacional se resuma a fazer quatro paredes e um telhado em cima. Se você não der habitabilidade, um entorno, não se resolve o problema, apenas transfere de lugar.Hoje o bairro tem um comércio aquecido, um ambiente familiar e as pessoas já começam a sentir isso.  

O prefeito Orlandini sob sua própria avaliação...

Eu sou o prefeito possível. Não sou o prefeito ideal. Eu deito e durmo, porque sei que dei o melhor de mim, que fiz o melhor que pude fazer, considerando todas as condições, de tempo, de equipe,das leis, da política. A gente tem que ter a consciência de que é um período curto. Agora, é importante que haja sempre a continuidade, independentemente de que seja a gente ou não, essa responsabilidade de ter continuidade, de se respeitar uma semente que foi plantada.  

O senhor acha que a sociedade bertioguense amadureceu politicamente?

Eu acho que ela está madura, coerentemente com a idade política que ela tem. As pessoas começam a entender a lógica das coisas.


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