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O dia era 1º de abril, o ano 1955. Data em que os olhares de Norma Mazzoni e Licurgo Mazzoni se cruzaram pela primeira vez. Ela, uma professora recém-chegada de Santos para lecionar em Bertioga. Ele, um paulistano que havia acabado de chegar à cidade com o pai (Coriolano Mazzoni) para instalar a primeira casa de materiais de construção do antigo vilarejo, a Viga Mestra. O casamento deu certo!  

Foto: Arquivo familiar

Norma Mazzoni, hoje com 77 anos, relembra saudosa e feliz a trajetória que a fez chegar e ficar por aqui. Uma das primeiras professoras de Bertioga, Norma formou-se em 1950, mas só começou trabalhar dois anos depois, no colégio Lurdes Ortiz, na Ponta da Praia, em Santos.

O pai não aprovava. “Ele era funcionário da Alfândega, trazia trabalhos para casa e queria que eu ajudasse. Mas eu gostava muito de criança e fui sozinha, com a cara e a coragem”.Registrada como professora eventual, Norma conta que batia ponto todos os dias, mas não dava aulas, porque as professoras fixas não faltavam. Foi assim até 1955, quando surgiu a vaga para lecionarem Bertioga. “Eu já havia estado na vila e gostado muito, foi amor à primeira vista, por isso aceitei”.Uma escolha que mudaria sua vida para sempre.

Foto: Arquivo familiar

Assim, no dia 1º de abril de 1955 ela e mais duas professoras chegaram à antiga vila de Santos para lecionar na escola que funcionava onde hoje é a Casa da Cultura. “Ficávamos a semana inteira aqui e só retornávamos aos sábados, o acesso era difícil”,diz, lembrando que as professoras que davam aulas no Indaiá e São Lourenço tinham que pegar carona com o caminhão do lixo, entre estes bairros e o centro, de onde saia a barca para Santos.

Norma enfrentou todas as dificuldades e lecionou por 26 anos. “Não tem um dia que eu saia de casa e não encontre um ex-aluno meu. É muito gratificante”.Hoje ela está fora das salas de aula, agora é uma atleta. Joga dama, bocha, xadrez e pratica tai chi chuam, no Grupo Vivência.

Para sempre

No primeiro dia em que chegou à cidade, Norma conheceu o seu marido Licurgo Mazzoni. Na mesma data, a família dele inaugurou a Viga Mestra, loja de materiais de construção que durante dez anos foi única do gênero na região. “Eles gostavam demais daqui e ajudaram muita gente a construir, vendiam os materiais com prestações módicas”, diz Norma.

Foto: Arquivo familiar

Também foi da família o primeiro cinema da cidade,o Cine Umuarama, na rua Pedro Góes, com apresentações de filmes duas vezes por semana. “Ficava lotado, porque era bem baratinho”, lembra Norma. O cinema fechou em 1962 por conta dos aumentos dos impostos e alto preço dos filmes.

O nome Licurgo Mazzoni entrou para a história da cidade e nomeia, inclusive, o píer de pesca localizado no Canal de Bertioga. E não é por pouco: o pai de Licurgo foi por duas vezes subprefeito de Bertioga e Licurgo Mazzoni um incansável na luta pela Emancipação do município.

Foto: JCN

Como presidente da Comissão de Emancipação político-administrativa de Bertioga, em 1991, Licurgo Mazzoni não mediu esforços para ver o sonho concretizado. Mas, infelizmente, faleceu dois anos depois da conquista.

Norma, que acompanhou todo o processo de desenvolvimento político da cidade, diz que a emancipação foi muito boa, mas tem suas ressalvas. “Poderíamos estar melhor. Bertioga tem tudo para ser uma potência, mas até agora não houve muita ação, principalmente no turismo”, opina e acrescenta: “é preciso mais amor a terra”


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