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“Não existe obra sem pessoas”, com esta certeza, a funcionária pública Elaine Amorim Justo Nehme leva à frente seu trabalho de registrar em livro de contos, os usos, costumes e crenças das famílias que habitaram a vila de Itatinga até meados da década de 1990.

Foto: JCN

Histórias reais de muitos bertioguenses, e de quem passou por suas vidas, como a da professora Cleide Negreiros, que lecionou na vila, de 1970 a 1990. Aposentada, hoje vive em Marilândia, Goiás,mas enviou seu depoimento pessoal, onde fala sobre seu convívio com os moradores locais, desde o preconceito inicial, pois era negra, até a aceitação e o carinho dos pais e alunos.

Elaine fez parte de uma das turmas da antiga professora e lembra de uma Cleide muito rígida,mas competente na mesma proporção. “Quem estudava com ela, chegava a Bertioga extremamente preparada”, elogia.

Foto: JCN

Com o entusiasmo de quem registra sua própria origem, Elaine já fez 30 entrevistas com famílias antigas da vila. O estudo antropológico revelou, por exemplo, que no período de 1910 a 1930, a vila foi habitada exclusivamente por imigrantes; de 1930 a 1950 teve início a chegada de pessoas vindas do litoral norte, especialmente de Ubatuba e Caraguatatuba; a partir de 1950, começam os entrelaçamentos.Já a partir da década de 1990 tem início o final de um ciclo, com os últimos aposentados deixando a vila com as suas famílias.

Doce rotina

Entre tantos depoimentos e lembranças, ela se emociona ao fechar os olhos e descrever, em detalhes, minúcias da rotina diária da antiga vila:

Foto: JCN

“O barulho do bonde na ponte dos xaxins, os tapetes sendo batidos nas janelas, o sino da igreja às 18hs - quando as crianças saiam correndo para rezar o terço, e a hora do silêncio- às 22h as sirenes da usina tocavam e todo mundo se recolhia para dormir”. Abre os olhos,agora marejados de lágrimas, e não é preciso dizer mais nada.

Foto: JCN

Elaine Amorim nasceu em Itatinga e lá viveu até os 19 anos. Faz parte da terceira geração de uma família que participou da história de Itatinga. Ela conta que foi seu bisavô, Agostín Ramos, quem colocou a pedra fundamental de construção da capela. “Três gerações da minha família estão ligadas a Itatinga, então por quena minha teria que acabar? Precisava fazer alguma coisa, por isso pensei no livro. Acredito que o estudo e registro do passado servem como alicerce do futuro”, diz.

O livro, ainda sem nome definido, será ilustrado com fotos antigas, pessoais e doadas pelas famílias entrevistadas, e atuais, do fotógrafo Du Zuppani. A escritora também aguarda aprovação pela Lei Rouanet (Lei Federal de incentivo à cultura).    

Foto: JCN

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