Respeito à Cultura Indígena - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Foto: JCN

Para respeitar, é preciso, antes de tudo, conhecer. E isso vale para nossa história, nossa terra, nossas riquezas naturais, nossas diversidades culturais. Um povo que não tem cultura, não tem identidade, afirma o líder indígena, Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena, membro da Cátedra Indígena Itinerante e articulador dos direitos dos povos indígenas na ONU (Organização das Nações Unidas).A cultura indígena está intimamente ligada à origem de Bertioga, a antiga Buriquioca,que foi o primeiro povoado de apoio para a Colonização do Brasil no século XVI onde viviam, na época, os tupiniquins.Muito tempo se passou, mas a história, sempre latente, fez com que indígenas de todo o Brasil voltassem a pisar em solo bertioguense em uma confraternização com seus irmãos e representantes da etnia guarani, que vivem na Reserva Indígena Ribeirão Silveira, em Boracéia, divisa entre Bertioga e São Sebastião. Mas, mais do que isso,  fez com que fosse resgatada a rica diversidade cultural desses povos mostrando aos não-índios parte de sua cultura, tradições, rituais, seus esportes, o artesanato,a arte plumária e também as principais questões que afligem hoje as comunidades indígenas em todo o País: o direito à saúde, à educação, à terra.

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Todas essas questões começaram a fazer parte de Bertioga por meio da Festa Nacional do Índio criada em 2001 e que se projetou nacionalmente atraindo,também, estudiosos e turistas estrangeiros. Este ano ela foi transformada em Festival Nacional da Cultura Indígena ganhando novo formato, com a realização de novos seminários, palestras onde temáticas de interesse dos povos dividiram espaço na programação realizada de 18 a 20 de abril.

O contato sempre enriquecedor com nossos irmãos indígenas trouxe a Bertioga, este ano, representantes dos povos Karajá e Xerente (Tocantins), Meninako (Parque Indígena do Xingu) em Mato Grosso, estado também dos povos Manoki, Terena, Paresi, além da presença de um grupo Pataxó,de Porto seguro, sul da Bahia. Entre as novidades deste ano, apresentações culturais como do grupo paulista Mawaca, que faz uma pesquisa sobre sons rupestres, e peças teatrais proporcionaram intercâmbio e troca de experiências culturais.

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Durante o evento, no dia 19 de Abril, quando se comemora o Dia do Índio, o líder Marcos Terena, em sua mensagem à população lembrou que essa confraternização cultural, essa mistura de raças e culturas é fundamental. “Esse é o Brasil do sonho indígena: negros,brancos, povos indígenas. Esse é o verdadeiro programa de índio”. E, ao citar as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas em todo o Brasil afirmou que a maior ameaça “ nasce do desconhecimento dos valores indígenas humanos e ambientais. Nesse Dia do Índio exigimos que os direitos indígenas sejam respeitados e que o homem branco aprenda de novo a conversar com os índios como vocês estão fazendo aqui em Bertioga”

Tradição guarani está presente na cidade

Uma comunidade que vive da plantação,do artesanato típico e preserva danças e cantos sagrados provando que é possível viverem harmonia com a natureza. É assim que aproximadamente 400 habitantes da Reserva Indígena do Ribeirão Silveira mantêm suas tradições, apesar de estarem tão próximos da cidade. Localizada em Boracéia, a cerca de 25 km da Riviera de São Lourenço, a aldeia tupi-guarani é considerada um exemplo entre todas do Estado de São Paulo e recebe apoio das prefeituras de Bertioga e São Sebastião nas áreas de saúde e educação.Na escola da reserva,as crianças têm aulas em português e  tupi-guarani e a comunidade também comemora o fato de registrar omaior índice de crescimento de natalidade do Brasil.

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No Ribeirão Silveira, os índios dão exemplo de como é possível se adaptar aos novos tempos, sem perder a identidade cultural. Um trabalho importante foi a participação desse grupo no CD lançado pelo projeto Memória Viva Guarani, com cantos sagrados apresentados por aldeias de São Paulo e Rio de Janeiro. Na reserva, a Prefeitura de Bertioga construiu a escola e mantém os professores da rede municipal, de 1ª a 4ª séries, inclusive de formação indígena, responde pela merenda escolar e entregou, no último ano, mais duas salas para aulas de 5ª a 8ª séries mantidas com professores estaduais.

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A Prefeitura de Bertioga também construiu um posto médico sendo que os serviços na área de saúde são oferecidos por São Sebastião que construiu as casas típicas dentro dos padrões da cultura guarani e também ajuda com projetos de subsistência. Com o replantio do palmito Pupunha, Juçara e plantio de mudas de espécies de plantas ornamentais nativas da região como helicônia, a reserva dá exemplo de sustentabilidade.

Rituais sagrados

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Danças, cantos e rituais sagrados para os guaranis falam basicamente da relação entre o homem e a natureza e tudo o que ela representa espiritualmente para a comunidade. Hoje crianças e jovens, que ainda falam em tupi-guarani, se unem para representar e mostrar essa cultura por meio de um trabalho que resgata essa tradição. A reserva também mantém sua principal festa religiosa que acontece anualmente em janeiro, entre os dias 9 e 10,quando as crianças que nasceram no ano anterior são “batizadas” e recebem a denominação em guarani. Trata-se de um ritual especial que envolve o pajé e a família, uma vez que o nome tem importância vital nos destinos dessa criança. Além disso, todas as noites, as crianças se reúnem com suas famílias na Casa de Reza onde participam de orações com o pajé.  


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