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Foto: Aline Pazin

 A mitologia grega conta que, todo viajante, ao se aproximar da esfinge de Tebas, ouvia dela as palavras enigmá- ticas: “Decifra-me ou devoro-te!”. No mundo dos negócios, quem inicia um empreendimento sem um plano definido, corre o risco de ser devorado pelo fracasso, assim como os viajantes  do mito. Aqueles que decifraram o enigma da esfinge dos negócios apostam na chegada do momento ideal para investir em Bertioga. 

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A mudança já é visível nas fachadas de lojas como Hering, Colombo, Cacau Show, Subway... Se antes eram nomes conhecidos, mas distantes da realidade dos moradores da cidade, hoje fazem parte do cotidiano. Trata-se de um dos sinais de desenvolvimento, uma vez que, as grandes franquias só se instalam numa localidade mediante garantia de uma série de requisitos, entre eles, um retorno promissor. Contudo, a implantação de um negócio depende, além de condições pré-estabelecidas e de um planejamento, de uma boa dose de talento para o comércio. 

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O espírito empreendedor de Gustavo Bandeira de Carvalho, 36 anos, surgiu com a ideia da instalação de uma unidade da chocolataria Cacau Show, em Bertioga. Ele largou seu emprego em São Paulo, onde atuava na área financeira, e aportou na cidade para investir na franquia. Gustavo disse que o contato com o município é de longa data, uma vez que seus pais possuíam casa na Riviera de São Lourenço. “Eu tinha o sonho de ter meu negócio.  Sempre quis trabalhar com a Cacau Show, e foi uma coisa muito bacana, de Deus mesmo, porque no estado de São Paulo havia poucas cidades habilitadas, enquanto Bertioga estava em aberto”. 

Na época, Gustavo ainda trabalhava na capital e, apesar de ainda não possuir os recursos necessários, já procurava um ponto para a abertura da unidade, sempre que vinha ao município. O ponto enfim escolhido, aliás, nem estava disponível, mas Gustavo conversou com o antigo proprietário e conseguiu dar o passo decisivo para abandonar a vida de empregado e se tornar um empregador. 

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Depois do doce e agradável resultado obtido com a franquia de chocolates, Gustavo não parou mais. Em parceria com seu irmão Fernando, 38, ele abriu a franquia da Subway e não tem motivo para arrependimentos. “A receptividade foi muito boa. A marca é muito forte no Brasil e, para o tamanho da cidade, a unidade está indo muito bem, até acima da média do mercado brasileiro por número de habitantes”, contou. Ele revelou que a expectativa de mercado em Bertioga ultrapassou de 10% a 15% em relação às unidades da lanchonete em cidades com 50 mil habitantes. 

O desempenho além do esperado reflete o momento pelo qual Bertioga está passando, acredita o empresário, formado em administração. “Se cabe uma Subway aqui, quer dizer que a cidade está se desenvolvendo, se preparando para o futuro. Para a abertura da unidade, com certeza o franqueador possui uma projeção otimista. Eles verificam muito isso, se certificam, anteriormente, de que o novo ponto tem tudo para dar certo no local”, disse. 

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O arquiteto Ney Lyra, cujos pais participaram do movimento de emancipação político-administrativa da cidade, é cliente assíduo da Cacau Show e, entre um docinho e outro, fala da importância da vinda de empreendimentos deste porte para a cidade: “O mercado está crescendo, principalmente, na avenida Anchieta, que tem uma visibilidade comercial boa. Estas franquias geram empregos, geram renda e eu acho que o município deve, inclusive, incentivar para que mais investidores venham para Bertioga.”  

Caso de sucesso  

  Os negócios locais também têm ganhado destaque e conquistado o mercado paulista, a exemplo da rede Varanda. Seus proprietários montaram a própria franquia, atualmente instalada em várias cidades do estado de São Paulo. Eduardo Sarack, hoje com 32 anos, começou cedo sua vivência com o comércio, iniciada por intermédio de seu pai José Luiz Jardim do Nascimento, falecido em 2004. Em 1996, ele inaugurou a primeira vídeo-locadora do município, a Sea Vídeo, com a qual ofereceu mais um divertimento aos amantes da Sétima Arte. “Quando chegaram o DVD e a TV por cabo, começou a diminuir a locação de fitas, então meu pai colocou um forno de pizza dentro da locadora. Com o tempo, a gente percebeu que a pizza estava indo melhor do que as locações. Posteriormente, meu pai agregou a esfiha e, na Sea Vídeo da avenida Anchieta, começou a vender muito mais”, contou Eduardo.  

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Quando José Luiz faleceu, o restaurante foi vendido. Eduardo trabalhou na capital, mas retornou à Bertioga, onde montou o Varanda, restaurante e delivery de pizza e esfiha. A primeira franquia surgiu em dezembro de 2011, em São José dos Campos e, desde então, o empresário não parou mais. Quem vai para São Bernardo, Mogi das Cruzes e, até, para a capital, pode contar com os serviços do Varanda, por meio de suas franquias. Em Bertioga, suas unidades são responsá- veis pelo emprego de 43 funcionários e, somente na unidade do centro da cidade, passam mensalmente cerca de cinco mil pessoas.

Questionado sobre o motivo de escolher o município para empreender, Eduardo responde, convicto: “A cidade promete. Estamos bem no meio do desenvolvimento, e quem já estiver bem estruturado é quem vai ganhar a maior fatia. Quem estiver pensando em abrir um negócio ainda vai deixar a oportunidade passar”.  

Atendimento personalizado  

Inspirada por um exemplo de empreendedorismo exibido em um programa televisivo, Nubia Cota teve a ideia de iniciar a venda itinerante de roupas com o auxílio de uma van, dotada, inclusive, de provadores em seu interior. Antes disso, ela já possuía uma clientela por ter iniciado a atividade como sacoleira. “Permaneci desta forma por cerca de dois anos, mas, na época, a minha vontade era montar uma loja. Porém,aqui eu vejo que as pessoas procuram por sacoleiras, gostam deste contato maior. Eu acho que é um pensamento de cidade do interior”, comentou.

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As vendas com o veículo da NúVest iniciaram há quase dois anos, mas Nubia fez um planejamento prévio deseis meses, com a orientação do Sebrae, para a implantação deste sistema de comercialização. Com tudo pronto,ela trabalhou por um ano. Mas, ao fim da temporada, sofreu um acidente de trânsito que atrapalhou seus negócios.“O acidente não me trouxe muitos prejuízos porque o carro estava vazio, mas fiquei parada por sete meses. O comércio, que começava a dar lucro, já que o investimento foi muito alto, teve que ser temporariamente interrompido por três meses”. Mas nem tudo na vida são espinhos e, assim que Nubia retornou à ativa, seu comércio teve uma intensa procura pelos antigos clientes.

O atendimento personalizado cria um vínculo entre o cliente e o vendedor, por isso, é demorado e restringe o número de atendimentos diários, mas também tem seu lado positivo em relação a um ponto fixo. “Em uma loja,se entrar cliente vende, se não entrar,não, mas na loja com rodas eu vou até a pessoa. Por isso, dá para atender com mais frequência”. Além disso, a experiente Nubia ajuda os clientes,atuando também como consultora de moda. “Eu entendo bem do que eu faço, e as pessoas perguntam e confiam nos meus conselhos. Quando não está de acordo com o gosto, ofereço outras opções que combinem”, revelou.

Para a empresária, os principais problemas para o seu negócio são as ruas esburacadas, que causam avarias no veículo, e o valor do alvará, até três vezes mais caro do que o de uma loja física. Mesmo assim, Nubia comemora o resultado de seu serviço, que fideliza a clientela. “Uma pessoa bem atendida vai ser sempre sua cliente”, finalizou.A gerente administrativa Fabiene Risolda dos Santos Irschlinger, 38, é cliente da NúVest há aproximadamente um ano e meio e confessou não abrir mão da comodidade e do atendimento proporcionado. “É excelente! Imagine, você está em casa e quando precisa é só chamar que ela vem. É tudo de bom, não tem serviço melhor, além disso, garante muito mais conforto”, comentou amoradora do bairro Maitinga.

A proprietária da Sistemas & Soluções Consultoria em Informática Patrícia Faustino dos Santos é de Guarujá e também apostou suas fichas ao abrir uma loja na avenida 19 de Maio. Entre os serviços prestados pela empresa, está o de automação comercial, que visa diminuir despesas e implantar sistemas de controle operacional. Mas, encontra dificuldades no momento. “Vim para Bertioga para aproveitar o crescimento da cidade, e tem uns dois anos que estamos aqui. Eu sou corajosa,porque, se não fosse, já teria fechado”.Ela comentou que o principal problema está na mentalidade dos moradores de que, em Bertioga, tudo é mais caro.

A comerciante Sonia Maria Nogueira Galvão, também com comércio na avenida 19 de Maio, teve suas esperanças renovadas, recentemente. Há 18 anos no mesmo ponto, com a casa Blue Night Decorações, a perspectiva causada pela vinda de novos empreendimentos é animadora. “A cidade está mudando. Antigamente, poucas pessoas passavam pela avenida, e eu acho que as obras de reurbanização estão colaborando para movimentar o comércio, além, sem dúvida, da construção de novos prédios”, comentou.  

A abertura de um negócio carrega sua parte de desafio e paciência para posterior júbilo, mas tudo faz parte de um processo que exige planejamento.Em 2012, a cidade contava com 4.500 empresas ativas e, neste ano, este número caiu para 3.711. Mesmo sendo considerado por muitos como o momento certo para investir na cidade,não se pode pular etapas para a implantação do negócio. Para colaborar,o empreendedor conta com a ajuda de entidades como o Sebrae. Dificuldades sempre há, como a falta de comprometimento de funcionários, altas taxas, entre outros, mas os problemas surgem e, para se alcançar o sucesso,é necessário contorná-los da melhor  maneira possível. Parafraseando HenryFord, fundador da Ford Motor Company, que revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos: “Há um punhado de homens que conseguem enriquecer simplesmente porque prestam atenção aos por menores que a maioria despreza”. 





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