Da primeira hospedaria à emancipação de Bertioga - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Ney Moura Nehme, filho de um dos libaneses que iniciaram a história do então vilarejo, é um legítimo representante dos pioneiros que ajudaram a transformar o subdistrito na cidade atual.

 Início do século XX, entre os anos de 1910 e 1914. Grandes levas de imigrantes chegavam de todas as partes do mundo e desembarcavam no porto de Santos. Em geral, seguiam para outros estados do Sul ou cidades agrícolas do estado de São Paulo. Boa parte deles, em especial um grupo de libaneses, fincou raízes no subdistrito santista. A família Nehme é um deles. O avô de Ney Moura Nehme, Elias Nehme casou-se com Leonilda Ferreira, caiçara de Peruíbe, a quem conheceu durante suas jornadas como mascate, quando, em lombo de burro, percorria todo o litoral paulista.

Foto: Arquivo familiar

 Ney conta: “Ele ia a Santos e comprava tudo quanto era quinquilharia e vendia; na volta, trazia farinha e peixe seco e vendia em Bertioga. Com o decorrer do tempo, ele montou uma venda, mas, inicialmente, comercializava em barraquinhas como outros  libaneses, em frente ao píer Licurgo Mazzoni. Mais tarde, construiu a primeira pensão de Bertioga, em frente à praia da Enseada, na avenida Tomé de Souza. O tino para os negócios era notável, o que fez Elias, segundo Nehme, investir em terras e fundar o loteamento Jardim Paulista, que vai desde a João Ramalho até a rodovia Rio-Santos. Ele também construiu o antigo Bar Central, em 1939, atual Chuleta Caiçara, na rua Vicente de Carvalho, 34, no Centro. 

Na segunda geração, a contribuição para o desenvolvimento da cidade aumentou. Seu pai, Jaime Nehme, estudou até o primário e foi juiz de paz em Bertioga. De pai para filho e, deste, para o neto. Diante de tantas lutas por uma vida melhor, enfim chegou o progresso. Ney Moura Nehme estudou em Santos e se formou em contabilidade e administração. Naquela época, foi trabalhar com um amigo, dono de uma lanchonete e, depois, em 1974,  quando Bertioga vivia a expectativa da construção da estrada Mogi-Bertioga, inaugurada em 1982, e da Rio-Santos, em 1985, seguiu o DNA da família e montou uma imobiliária, oportunidade para muitos moradores e visitantes. “Vendi muitos imóveis em Bertioga e em Mogi das Cruzes”, diz ele.  

Da infância, boas lembranças das reuniões dos pais com os patrícios, no Indaiá. Muitos frequentavam a casa de Jorge Isac, um amigo que morava em um sobrado de madeira, arborizado, com muitos passarinhos e farta comida árabe. “Íamos de caminhão e  passávamos o dia todo lá, brincando com espingardinha de chumbo e nos banhávamos na praia”. Também havia os célebres almoços na casa dos avós, aos domingos. Ney relembra: “Meu avô gostava de jogar pôquer e minha avó fazia quibe e pastel. Tinham um casarão próximo de onde hoje fica a sede do Corpo de Bombeiros e reuniam os amigos para jogar, beber e comer”. Paralelamente aos negócios imobiliários, ele atuou no cenário da emancipação e, em 1992, foi eleito vereador. “Gostei da política; os nove que entraram não tinham vivência política. Eram aprendizes e enfrentamos uma época muito difícil, porque eram 16 mil habitantes, com um orçamento pífio, cerca de 4 milhões de cruzeiros ”, o dinheiro da época.

Foto: Arquivo familiar

 A dificuldade era tamanha que não havia um lugar físico para trabalhar. “A prefeitura de Santos, quando foi embora, levou até o papel higiênico”. Diante disso, o pessoal da Câ- mara ficou sem lugar, e cada um levava a sua máquina de escrever para onde era a Escola Municipal Vicente de Carvalho (atual Casa da Cultura). “Foi um período interessante, porque todos os nove vereadores começaram a todo vapor, e tínhamos que criar tudo. Embora não tivéssemos conhecimento técnico, tínhamosexperiência de vida e éramos formados. Enalteço as Câmaras de Cubatão e de Mogi, que nos ajudaram muito”.

 Ney comenta que, nos dois primeiros anos, foram criados a Lei de Diretrizes Orçamentá- rias, e o Plano Plurianual, entre outros projetos. “Tivemos a felicidade de ter uma boa administração [Mauro Orlandini]. Não havia orçamento, mas, no primeiro ano de seu  mandato, ele construiu oito escolas no município, fez a abertura da Anchieta com recursos da prefeitura. Existia divergência política, mas jamais desentendimentos pessoais. Dávamos-nos ao luxo de cozinhar na casa do Miguel Bichir Filho, que também era um dos vereadores, e depois íamos para a Câmara”. A primeira gestão foi responsável pela Lei Orgânica do Município, promulgada no dia 30 de junho de 1993, numa sessão solene no Sesc.

Foto: Arquivo familiar

Depois de oito anos como vereador, Nehme não atuou mais em cargo político. Para ele, Bertioga evoluiu, mas, como todo desenvolvimento, há benefícios e, também, transtornos. “Hoje, o nosso bairro, o Jardim do Rio da Praia, está feio, mas a tendência é a implantação da rede de esgoto e, assim, terminaremos com os buracos. Mas temos muitas escolas, inclusive particulares, como o Senac. Hoje não estuda aqui quem não quer. Além disso, a  Riviera trouxe muitos empregos, cerca de seis mil pessoas e, daqui para frente, a cidade crescerá cada vez mais”.  


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