Indaiá, recanto de muitas possibilidades - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Foto: Rosangela Ribeiro

Refúgio do poeta Vicente de Carvalho, o bairro Indaiá – um dos mais tradicionais de Bertioga – tem grande importância histórica e turística para o município. Recebeu esse nome em razão da grande quantidade de palmeira-indaiá que florescia no sítio no qual morou o Poeta do Mar, e ganhou notoriedade quando foi escolhido para abrigar a casa de veraneio do empresário e político José Ermírio de Moraes, fundador do Grupo Votorantim, em um tempo em que o acesso era feito somente por barco e caminhão. O Indaiá dos dias atuais guarda muito dos encantos naturais que conquistaram essas personalidades. No entanto, no  que se refere à sua parte urbana, o lugar sofreu enorme transformação. Influenciado pela abertura da rodovia Mogi-Bertioga e a construção da Riviera de São Lourenço, o bairro passou por importantes intervenções imobiliárias, tornando-se um dos mais populosos de Bertioga.  

Foto: Rosângela Ribeiro/ Arquivo JCN

Hoje, quem o visita, tanto pela avenida Anchieta, que corta toda sua extensão e dá acesso ao centro da cidade, quanto pela rodovia Mogi-Bertioga ou ainda pela Rio-Santos,  depara-se com uma imensidão de casas, comércios, pousadas e um movimento sem fim de pessoas. Nos finais de semana de sol e calor, a quantidade de pessoas é ainda maior. Apesar de não contar ainda com uma infraestrutura ideal, o bairro tem atraído olhares de muita gente, inclusive de investidores. Contudo, é preciso fugir do núcleo urbano e seguir em direção ao mar para ver as belezas que o local nos reserva.

Cantão poético

Foto: Rosangela Ribeiro

 A praia do Indaiá é o último trecho da praia da Enseada, que tem início no centro de Bertioga, na divisa com o canal. Parte de sua orla já recebeu jardins e iluminação, porém pouca estrutura para receber o turista, que  não conta com bares, restaurantes e pousadas à beira-mar. A faixa de areia larga e dura é ideal  para atividades de lazer, caminhadas e prática de esportes. A praia oferece, em quase toda sua extensão, mar calmo e águas rasas. Em alguns pontos, no entanto, é possível encontrar boas ondas para a prática do surfe. 

O Cantão é ainda mais inspirador. Não é à toa que foi o cenário escolhido por Vicente de Carvalho para dar vida a suas poesias. Seu costão verdejante é sedutor e se tornou local preferido para o mergulho de quem costuma ancorar suas embarcações por ali. O movimento nesse ponto da praia deve-se às garagens náuticas, ambulantes e pequenos bares e lanchonetes que atendem os turistas.

Foto: Rosangela Ribeiro

 Nos últimos anos, Bertioga vem se consolidando como destino ideal para pessoas com algum tipo de deficiência ou problemas de mobilidade. Entidades e prefeituras de outros municípios apontam a cidade como principal rota do turismo de acessibilidade e inclusão. Parte desse sucesso ocorre devido às condições de nossas praias: planas, de areias compactas e de baixa declividade, com trechos de mar calmo e quase sem ondas nem correntezas, oferecendo maior condição de segurança a banhistas e navegadores. 

Foto: Mar Franz

Por reunir todos esses atributos, o Cantão do Indaiá tem se estabelecido como opção natural para receber grande parte das atividades voltadas ao setor. A maior delas, Guaru-Bert, é realizada há três anos em parceria com a cidade de Guarulhos e chega a reunir mais de 1.500 pessoas. Com o auxílio de cadeiras-anfíbias, disponibilizadas pela prefeitura de Bertioga, por meio do programa estadual Praia Acessível, os visitantes têm a oportunidade de passear sobre a areia da praia e se banhar no mar. Muitos, pela primeira vez na vida.

Outros esportes adaptados, como vela e canoagem, também fazem parte desses encontros, que têm sido ampliados. Segundo o consultor em acessibilidade e inclusão, professor José Augusto Coelho Filho, esse tipo de turismo em Bertioga tem registrado um crescimento de mais de 30% ao ano. Em sua opinião, “a cidade é naturalmente acessível e tem tudo para se firmar nesse contexto, falta apenas que se organize melhor o receptivo e melhore sua  infraestrutura”. Augusto foi precursor de atividades para pessoas com deficiências no município. São dele os projetos Verlejando e o Ecocaiaque, implantados pela prefeitura em 2014.

Arte e cultura caiçara 

 O bairro que inspirou um dos grandes poetas brasileiros não poderia deixar de apresentar profundas raízes artísticas e grande reverência pela cultura caiçara, ainda fortemente representada por seus antigos moradores. O artesanato tradicionalmente desenvolvido pelos pescadores e suas famílias, feito de cestarias, conchas, bambu e madeira, deu início a um legado que permanece vivo até os dias de hoje. Quando chegou a Bertioga, em meados de 1974, o artesão John Balthazar deparou-se com uma produção ainda expressiva desse artesanato tipicamente caiçara. “Porém, as novas tendências trazidas por turistas e veranistas oriundos de outras regiões do país fizeram com que a demanda fosse se modificando. Tivemos que nos profissionalizar”, conta. 

Foto: Foto Nativa

Com a popularização do bairro, John chegou a criar um roteiro de visitação em seu ateliê, que recebia inclusive turistas estrangeiros. Foi dele, também, a iniciativa de montar a primeira feira de artesanato do bairro, na praça José Ermírio de Moraes. Com o tempo, o movimento perdeu um pouco de sua força, porém, mesmo que por caminhos diferentes, a tradição seguiu seu curso e, hoje, John une-se a um pequeno número de outros artesãos que continuam produzindo e vivendo de sua arte. Representantes da memória do movimento artístico do Indaiá.


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