As belezas escondidas de Bertioga - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
Voltar para especial bertioga

Transformar a natureza e a história de Bertioga em produtos é tudo o que o setor de turismo quer para sair da sazonalidade da temporada de verão e protagonizar o desenvolvimento econômico da cidade. Mais do que a falta de infraestrutura desejável para uma estância balneária, a exemplo de uma rodoviária, empresários do setor apontam a carência de informações como o grande obstáculo a transpor.

Foto: Silvio Dutra


Faltam informações aos visitantes, muitos dos quais desconhecem as agências de turismo cadastradas no site da prefeitura, que oferecem passeios pelas duas trilhas abertas no Parque Estadual da Restinga (Perb) e no rio Jaguareguava, e tampouco imaginam quais são as opções de lazer de Bertioga, além da praia e do que é oferecido no píer da Vila. Faltam informações até mesmo para os moradores, cuja maioria não conhece ou nem sabe quais são os atrativos da cidade.


Na outra ponta, faltam informações para que novos empreendedores, como operadores de turismo receptivo, sintam-se confiantes para investir na cidade. Problema que deve ser amenizado com o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentado, que define as atividades comerciais e industriais permitidas no município.

Foto: Estela Craveiro


Adriana Veronesi Ferreira, dona da pousada Clariô e da ClariôTur, representante da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) no Conselho Municipal de Turismo (Comtur), opina: “Temos que nos integrar. Não adianta ter patrimônio histórico, aldeia indígena, trilhas na Mata Atlântica e rios maravilhosos se não temos o que fazer com eles. Precisamos nos estruturar para receber. Temos que agregar serviços aos atrativos que trazem os turistas”.


Ela se refere às operadoras de passeios, que poderiam se unir para compartilhar clientes, viabilizando saídas, e também interagir com os meios de hospedagem. A Clariô, por exemplo, vende na pousada tickets para o passeio de escuna da Ilha Turismo, que sai do píer da Vila. Este é o melhor exemplo de produto turístico: tem local, roteiro, preço, dias e horários definidos. E a operadora mantém numerosa equipe de venda no píer e na praia da Enseada, nos fins de semana e feriados do ano todo.

Foto: Silvio Dutra


Nesse contexto de pouca oferta de oportunidades para os turistas descobrirem Bertioga, proprietários de pousadas, o meio de hospedagem predominante no município, enfrentam verões já não tão movimentados, como os dois últimos, e veem crescer a concorrência. A disputa por hóspedes já não ocorre apenas entre os locais, mas com outras cidades e outras regiões, dada a oferta concentrada em alguns aplicativos de viagem.


Em contrapartida, as pousadas começam a receber hóspedes diferentes dos habituais turistas de veraneio, que só querem saber de praia. Estes, não. São viajantes experientes. Querem conhecer a cidade e seus encantos naturais. Daí a premência da profissionalização do turismo, do ponto de vista do segmento de hospedagem, que depende de taxas de ocupação equilibradas em todos os meses para baixar tarifas e captar mais clientes. “Minha esperança é enorme e coloco muita fé de que, desta vez, vamos conseguir um relacionamento muito ético e profissional com a Secretaria de Turismo”, conclui Adriana. O objetivo de todos é o mesmo: tornar real o potencial turístico da cidade.


O que falta

Sobram queixas entre estas empresárias dos meios de hospedagem, mas também há sugestões e ideias que podem contribuir para melhorar o panorama do setor turístico. Confira algumas.

Juliana Gonzales de Souza, da pousada Serramar – O serviço receptivo da cidade precisa ficar em locais nos quais haja fluxo de pessoas, como na Vila, e não onde está, quase na rodovia Rio-Santos, sem sinalização que o destaque. E necessita ter funcionários treinados para orientar os turistas, com materiais sobre as opções de lazer, onde se hospedar, alimentar-se, contratar passeios, fazer compras e resolver emergências.

Norma Kiyomi Higasi Morimoto, da pousada Morimoto – Falta maior quantidade de funcionários capacitados para trabalhar em meios de hospedagem e como guias turísticos. É uma dificuldade gerada também pela sazonalidade da demanda por eles. Na temporada, faltam água e estrutura da cidade para receber, e sobra lixo nas praias e nas ruas.

Adriana Veronesi Ferreira, da pousada Clariô – A juventude não se dá conta dos atrativos da cidade e das oportunidades de emprego e negócios do turismo. Focado nesses aspectos, um projeto piloto do Comtur tem oferecido, até o fim de 2017, palestras aos estudantes do segundo e terceiro anos do ensino médio da Escola Estadual Archimedes Bava, no Indaiá, para explicar como funciona o setor. A ideia é fomentar a iniciativa de jovens que podem vir a ter suas próprias operadoras de passeios e/ou se tornarem guias turísticos ou monitores ambientais, sem os quais ninguém entra no Perb, o templo do ecoturismo da cidade.

Foto: Silvio Dutra


O dinheiro que o turismo traz

Tornar o turismo um fator de desenvolvimento econômico em Bertioga é a meta da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Cultura. Um desafio preliminar é lidar com o turismo predatório, que caracteriza principalmente a área central da praia da Enseada, em particular, no verão e no Réveillon, sem gerar saldo positivo de consumo de serviços e produtos. Muitas vezes, inclusive, geram cenas de degradação social e alta poluição sonora, deixam para trás lixo e degradação ambiental e dos equipamentos urbanos, como banheiros públicos, constantemente vandalizados. A meta da secretaria é acabar com a dependência do verão, quando cerca de 350 mil pessoas visitam a cidade, e manter constante movimento o ano todo. Atrativos turísticos é que não faltam, entre 36 quilômetros de praia, cachoeiras, os rios Itapanhaú, Itaguaré, Guaratuba e seus afluentes, o Parque Estadual da Restinga (Perb), parte do Parque Estadual da Serra do Mar, a aldeia indígena do Rio Silveira, a vila de Itatinga, onde está localizada primeira hidrelétrica brasileira, e o Forte São João, o primeiro do país.

Foto: Diego Bachiéga


Nas palavras de Ney Carlos da Rocha, secretário municipal de Turismo, Esporte e Cultura, “o que falta é uma organização que transforme tudo isso em produtos. É o que queremos fazer. A matéria-prima mais valiosa do turismo internacional, que é a natureza, nós temos. E temos nossa participação na história do Brasil. A demanda é complexa, mas, em dois anos, devemos ter mudanças significativas no turismo como agente de desenvolvimento da economia da cidade”. Uma das ideias para o próximo verão, revela o prefeito Caio Matheus, é fazer um projeto piloto que elimine o estacionamento de carros na orla da praia da Enseada, recurso que resolveu problema similar na cidade de Praia Grande. Comportamentos inadequados devem ser coibidos por meio de um código de conduta e disciplina, em elaboração.

A secretaria também desenvolve um plano de turismo, contemplando os itens a seguir:

Dados – Um levantamento completo sobre a oferta de hospedagem, alimentação, comércio e serviços da cidade deve ficar pronto até o fim deste semestre. A ideia é dar base ao estabelecimento de parcerias com e entre os vários segmentos.

Passeios – A secretaria quer incentivar agências e operadoras a criar pacotes de viagem para a cidade e atuar com ênfase no turismo receptivo, oferecendo roteiros de passeios, não só, mas principalmente, no segmento de ecoturismo. E busca promover a integração dessas operadoras com outros segmentos do setor, como pousadas e restaurantes.

Monitores – Curso realizado pela Fundação Florestal, que administra o Perb, em parceria com as Secretarias de Meio Ambiente e de Turismo, e com o Serviço Social do Comércio (Sesc) forma, neste mês de maio, 80 monitores de ecoturismo, aptos a começar a trabalhar, após 100 horas de aulas teóricas e 120 horas de aulas práticas.

Eventos – Para atrair público de maior poder aquisitivo, elabora-se um calendário de eventos nas diversas vertentes do turismo possíveis em Bertioga além da praia, como atividades náuticas, práticas esportivas no mar e na orla, atrações culturais e passeios na Mata Atlântica. O objetivo é trazer as pessoas para a cidade antes dos eventos, de forma que usem os serviços de hospedagem, frequentem restaurantes, lanchonetes e bares, e consumam no comércio de Bertioga.

Foto: Silvio Dutra


Ecoturismo – Esse nicho deve ganhar força quando entrar em vigor o plano de manejo do Perb, que define os termos de uso da área, em elaboração pela Fundação Florestal, pois permitirá acesso a outros trechos além das duas trilhas hoje abertas à visitação. Espera-se que comece a evoluir com a oferta de passeios, a partir da disponibilidade dos novos monitores de ecoturismo.

Turismo histórico – Na área urbana, o plano é tornar o Parque dos Tupiniquins um polo de turismo cultural e histórico, tendo o Forte de São João como a grande atração, incluindo os concertos musicais que fizeram sucesso no último verão. Além de abrigar a feira de artesanato, que deve se tornar permanente e ampliada, o parque será cenário para eventos culturais, como festivais de música. A médio prazo, entre 2018 e 2019, pretende-se criar um centro de cultura indígena e uma concha acústica. 


Esporte e lazer, um binômio que precisa crescer


Tirar as crianças da ociosidade e apresentar a elas as novas perspectivas que o universo do esporte pode trazer às suas vidas e, mais, criar atletas que representem Bertioga. Para a Diretoria de Esportes, órgão integrante da Secretaria de Turismo do município, candidata a se tornar uma secretaria, estes são os alvos a atingir.


O projeto principal é a criação de 16 polos esportivos, em vários bairros. Com diversas modalidades, devem funcionar em locais públicos, como escolas municipais, o Espaço do Cidadão de Boraceia, o Complexo Comunitário de Esporte e Lazer, em construção no bairro Chácaras, que começará a operar até o fim de 2017, com quadras e pistas de skate e caminhada, e ainda em espaços de parceiros, como o do Sindicato dos Servidores Municipais. A implantação depende da aprovação de projetos apresentados aos governos estadual e federal no início do ano.


À medida que os polos entrem em operação, o Ginásio de Esportes, no Centro, que começou o ano com aulas em várias modalidades, deve se tornar um polo de treinamento de atletas mais avançados. O plano contempla incentivo para que eles participem do circuito esportivo brasileiro, composto por competições em âmbitos regionais, estaduais e nacional. A curto prazo, nos próximos meses, devem ser reativadas as piscinas do paço municipal, da Vista Linda, do Sindicato dos Servidores Municipais, no bairro Chácaras, e de Boraceia, e devem ser iniciadas aulas de remo, com canoas e caiaques.


Cultura nunca é demais


A orientação da Diretoria de Cultura é promover atividades nos núcleos urbanos, paralelamente às atrações na Vila. A experiência começou com peças teatrais, apresentadas bairro a bairro, uma de Boraceia em direção a Caiubura, e outra, de Caiubura a Boraceia. Este formato será mantido para outras atrações e para o Circuito Paulista, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que leva dança, circo, teatro e outras artes a várias cidades, bem como com os projetos Música é Cultura e Teatrada, em parceria com Serviço Social do Comércio (Sesc).


Outra iniciativa itinerante planejada é uma biblioteca infanto-juvenil, que ofereça, além de livros, contadores de histórias e performances a partir da leitura, para incentivar o hábito nas crianças e adolescentes. Os planos imediatos abrangem aulas de balé e xadrez, em andamento, e o estímulo ao desenvolvimento dos artesãos, por meio de encontros, parcerias e cursos.


Veja também

Promoção: Concurso Cultural Bertioga na Essência

A promoção que leva 11 ganhadores a passeios incríveis...

#vivabertioga

© 2018 Todos os direitos reservados ao Sistema Costa Norte Comunicação | Powered by Mundiware