Guaranis preservam sua cultura em Boraceia - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Uma das grandes atrações de Bertioga é a Terra Indígena Ribeirão Silveira, também conhecida como Terras Indígenas do Rio Silveira, em Boraceia, na qual vivem 550 índios das etnias mbya e nhandeva, subgrupos da etnia guarani, que inclui o subgrupo kaiowás, o mais numeroso de todos no Brasil. Os povos guaranis originam-se também de países da América do Sul, como Bolívia e Paraguai, e hoje vivem até na Argentina. São seminômades, como eram praticamente todos os índios brasileiros.

Foto: Marina Aguiar


No Brasil, os guaranis, atualmente, vivem nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Santa Catarina e Tocantins. Eles começaram a chegar a Boraceia por volta dos anos 1940, vindos do Espírito Santo, do Paraná e do estado paulista. O decreto que criou a reserva indígena é de 1987, mas a homologação só foi efetivada em 2012, depois de muita luta. A esta altura, você deve estar se perguntando onde estão os tupiniquins nativos de Bertioga? Foram dizimados já no início do século XVII, mortos pelos tupinambás ou escravizados pelos portugueses, como outros povos tupis.

Foto: Marina Aguiar


Historiadores, como Cadú Castro, dizem que os guaranis se entendem como extensão da terra em que pisam. São povos que caçam, pescam, coletam e plantam. Por isso, frente à situação de outros povos indígenas no Brasil, é considerada alta a qualidade de vida que têm nas Terras do Rio Silveira, em 948 hectares de área em meio à exuberância da Mata Atlântica, entre as cabeceiras do rio Silveira e a do ribeirão Vermelho, a 1,5 quilômetro do oceano. Localizada em área do Parque da Serra do Mar, a reserva é duplamente importante, por abrigar povos menos numerosos no país e por permitir aos índios viverem em seu habitat.

Foto: Marina Aguiar


Essas são algumas coisas que se aprende ao visitar a Terra do Rio Silveira, necessariamente com um monitor turístico ou ambiental credenciado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em passeios que, geralmente, duram meio dia (veja matéria sobre passeios, agências e guias na página 64).


Os guaranis organizam-se em núcleos familiares, criados conforme os filhos de um casal vão se casando e construindo suas casas. Lá vivem cinco núcleos, sob o comando do cacique Adolfo Wera Mirim e do vice-cacique Mauro, que ocupam cargos eletivos. Há anos acostumados a lidar com turistas, inclusive os índios Cleiton e Tiago são monitores ambientais, a cada vez colocam uma equipe para receber os visitantes, de acordo com os contatos de cada guia e agência.

Foto: Marina Aguiar


Mas o roteiro de todos é bem parecido. Após serem amigavelmente recepcionadas, as pessoas partem para uma trilha que leva aos deliciosos poços do rio Silveira. O passeio dura cerca de duas horas. De volta à aldeia, tem a parte cultural, em rodas de conversa sobre o modo de vida dos índios, todos pertencentes aos povos tupis, seus costumes, sua culinária, crenças e rituais e, até, visita à casa de reza e bate-papo com um dos quatro líderes religiosos da aldeia, designados como nhanderui, que significa o pai de todos e, não, pajés, que é uma designação dos povos tupis.


Eles alcançam tal posição por acharem que têm aptidão e buscam treinamento com os líderes espirituais, em um preparo que pode durar até 20 anos. Para finalizar a visita, há o belo artesanato guarani, cujas peças podem ser adquiridas, assim como o palmito-juçara e as plantas ornamentais que os indígenas cultivam.

Foto: Marina Aguiar


Na semana do Dia do Índio, em abril, a aldeia fica aberta e recebe o público com apresentações de canto e dança, arco-e-flecha, luta corporal e corridas de tronco, entre outras atividades do Festival da Cultura Indígena da Aldeia do Rio Silveira. Dá para experimentar atirar flechas em um alvo e se colorir com as pinturas na pele típicas dos guaranis.

Foto: Marina Aguiar


No restante do ano, as visitas são agendadas. Naturalmente, se alguém aparecer por lá por conta própria, será recebido e poderá trocar dois dedos de prosa com os moradores. Mas não terá acesso a todas as informações que, somadas à força da natureza, remetem à ideia de como seria a vida de índio no Brasil de antigamente. A Aldeia Indígena Guarani do Rio Silveira fica na avenida Tupi Guarani, em Boraceia, no território de Bertioga, mas a entrada é pelo bairro Boraceia 2, em São Sebastião, diretamente pela avenida, no fundo do trecho do bairro, na altura do km 183 da rodovia Rio-Santos, ou pela alameda Mauá, acessível na altura do km 189.


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