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Os antigos bairros Jardim Ana Paula, Mangue Seco, Rio da Granja e Rio Raso foram integrados num único bairro, o Rio da Praia. Uma nova identidade para uma área que frequentemente é confundida com uma instituição que lhe deu origem e se tornou uma espécie de símbolo: o Sesc Bertioga. Quando alguém diz: “vou ao Sesc”, muitas vezes, não se refere à colônia de férias e, sim, ao bairro cujo crescimento ocorreu em seu entorno.

Foto: JCN

Quem conta um pouco desta história é a gerente de recursos humanos da entidade, Edna Costa, que nasceu há 51 anos na própria colônia de férias, informação registrada em sua certidão de nascimento. Ela conta que o parto foi feito na casa de sua família, fora dos limites da unidade, por um médico da capital que estava de plantão no local. Curiosamente, nesta época, a instalação não possuía muros e tudo era considerado como a Colônia de Férias Ruy Fonseca, hoje Sesc Bertioga.

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Os pais de Edna, sergipanos, conheceram-se após serem contratados para trabalhar na unidade e, assim como este casal, o Sesc ocasionou a migração de muitos nordestinos e mineiros para a cidade, conforme conta a gerente de RH: “O Jardim Rio da Praia surgiu por causa da construção do Sesc, em 1948. As pessoas que vieram trabalhar aqui foram gostando da cidade e ficando no bairro. Muitos moraram dentro do Sesc mesmo. Meus pais contam que tinha um enorme barracão aqui, onde ficavam os homens para a construção do centro de férias”.

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Desde o princípio, Edna passou sua vida no bairro e, aos 18, participou de processo seletivo para se tornar funcionária. Tornou-se, também, uma referência e parte da história do bairro, pelo qual lutou, inclusive, nos momentos decisivos. A coordenadora de RH lembra sua participação no processo de emancipação de Bertioga,  então distrito de Santos. “Quando nós votamos - e eu trabalhei junto com muitas pessoas pela emancipação de Bertioga - nós esperávamos realmente que fossemos ter um boom. Por nós termos já o centro de férias aqui, e o Sesc sempre ajudou a comunidade, nós esperávamos que, no mínimo, as ruas fossem asfaltadas. Mas nós não temos nada disso”, reclamou. Para ela, o bairro não vive um processo de desenvolvimento, mas, sim, de retrocesso. “Nossas valas tinham peixes. Não temos mais os famosos cascudos, amborés, as traíras, porque foram substituídos por esgotos a céu aberto”.

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Esta lembrança dos tempos anteriores ao crescimento populacional também é marcante na vida de Maria das Neves de Castro, a dona Nivinha, há aproximadamente 40 anos em Bertioga. Quando se mudou para a cidade, buscava o contato com a natureza ainda vívida em sua memória pela presença constante de uma rica fauna, atualmente reduzida no cotidiano do bairro. “Fico triste porque eu preferi, na época, aquela preservação que nós tínhamos aqui, em que eu vivia no meio dos tucanos, arapongas, dos veadinhos que desciam da serra, onças e tudo o mais. Era um paraíso e eu achei que viveria em um paraíso para sempre”, lamentou.

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A mineira, que morava em São Paulo, veio para Bertioga com seu marido e também participou da emancipação da cidade, mas via este progresso de outra maneira naquela época. “Estávamos preparados para administrar aquela Bertioga, aquela pérola que a gente tinha. Só que a gente não contava com a corrida do ouro”. Nivinha lembra que, nesse processo, muitas pessoas foram trazidas para a cidade sem qualquer tipo de controle e, até por pessoas que se aproveitaram desta situação. Mesmo assim, ela tem Bertioga no coração e acredita que, aos poucos, o município vem conquistando melhorias. “É um avanço a cada dia”.


Jardim Ana Paula

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O antigo núcleo Ana Paula, com ocupação iniciada a partir de 1997, e que conquistou a homologação do acordo firmado pelas quase 400 famílias ocupantes de lotes pertencentes à Serramar Empreendimentos Imobiliários agora também faz parte do bairro. A partir da tratativa, as famílias terão não apenas mais segurança por habitar um imóvel adquirido por meios legais, mas também a previsão de melhorias como obras de drenagem, rede de água e esgoto, execução de guias e sarjeta e a posterior pavimentação.

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Para o presidente da Associação dos Moradores do Jardim Ana Paula, Ronaldo Dias do Santos, o Dil, morador do local há 17 anos, tanto a homologação do acordo quanto o abairramento surgiram como agentes norteadores para novos tempos na comunidade. “Assim, reduz a quantidade de bairros na cidade e, além disso, quando chegam melhorias para um dos bairros regularizados, ajudam os outros a ter também”, afirmou.


O próximo passo para quem assinou o termo de adesão é firmar contrato de compra e venda diretamente com a Serramar. De acordo com a prefeitura, dos 424 lotes existentes na área, 380 estão ocupados e as famílias aderiram ao acordo; 34 estão ocupados, entretanto, não houve adesão; e 10 lotes não estão ocupados. Na opinião do presidente da associação, esta assinatura deve acabar com a insegurança atual dos moradores residentes no núcleo. “Vai dar mais tranquilidade para o sono das pessoas. Hoje, a gente não se sente seguro ainda porque não assinamos o contrato, mas, a partir do momento em que assinarmos, a prefeitura passa ter conhecimento e deve acontecer a regularização fundiária”, ressaltou. Pelo acordo, cada família deve pagar R$ 80,00 por metro quadrado do seu lote, sendo que poderá dividir o valor total em 48 parcelas. No caso de não pagamento, o lote será passível de reintegração de posse, conforme prevê o documento acordado judicialmente.


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