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Um bairro tradicional e diferenciado. Pode-se definir, assim, São Lourenço, um recanto que encanta pela proximidade com o mar e com a mata; que atrai por suas características peculiares. Como referência histórica, destaque para a centenária família Pinto; e geográfica, o privilégio de fazer divisa com a semideserta praia de Itaguaré, de um lado, e, do outro, ter como vizinho o megaempreendimento Riviera de São Lourenço. Não se pode esquecer de mais uma: o silêncio; o som mais comum no bairro é o provocado pela algazarra de pássaros e pelas folhas das árvores, agitadas pelo vento que sopra do mar.

Foto: Arquivo Pessoal


Tais atributos foram decisivos para que a família Moura trocasse a capital pelo bairro há 14 anos. O médico Osmar Alves de Moura comprou o imóvel de veraneio em São Lourenço em 1994 e, desde então, segundo conta, teve início a saga de descer para o litoral rumo a Bertioga todos os finais de semana, com um retorno sempre penoso para todos. “Era uma briga para ir embora, ficávamos enrolando. Até que, no final de 2000, decidimos vir de uma vez para cá”, diz Osmar.


A família saiu da capital para fugir da violência e não se arrependeu da decisão. “Eu havia sofrido um sequestro-relâmpago; meu filho foi assaltado no ônibus, na volta do colégio. Aqui encontramos tranquilidade, silêncio, acho que não sairia daqui não. Arrependo-me de não ter mudado logo quando construí a casa”, disse o médico.

Foto: Arquivo JCN


Sua mulher, a biomédica Lia Almeida Penteado de Moura, é um pouco mais reticente em relação à mudança. “Eu sou a única urbana. Foi difícil porque em relação à educação deles {os filhos} não manteve a qualidade de ensino; eles tiveram que abrir mão da escola de inglês e de esporte. A diferença foi gritante. Nisso eu pequei com eles”.


O casal tem três filhos e, depois de crescidos, veio uma nova preocupação. Disse Lia: “A tranquilidade acabou quando chegou a época da faculdade. Eles tinham que pegar a estrada à noite para ir até Santos”, motivo de aflição para ela. Mas isso passou, e agora, com os filhos formados, seria mais uma dificuldade comum no jovem município: a falta de perspectiva de emprego. Pelo menos, neste aspecto, nada que atinja os Moura. “Nós abrimos uma empresa para eles trabalharem; eles não abrem mão de Bertioga. Ninguém quer ir embora daqui”.

Foto: Shin Shikuma


Quando chegou na cidade ela também temeu a falta de emprego. “Achei que não iria mais trabalhar, que não encontraria nada na minha área. Acabei ficando onze anos no Laboratório Itapema, e acho que foi muito produtivo, tanto para mim, quanto para a cidade; acredito que consegui contribuir com o desenvolvimento de Bertioga”. Se foi difícil convencer Lia de vir para Bertioga, com certeza a dúvida já ficou no passado.Hoje ela é uma apaixonada pelo lugar onde vive. “Adoro morar nesse canto de São Lourenço; meu minizoológico. É um lugar em que posso andar na rua, andar descalça...”.


Pioneirismo


Data de 1887 o início do povoamento do bairro São Lourenço. De acordo com seus moradores, uma família foi responsável pelo povoamento da área. O fundador Manoel José Pinto era filho de escravos, e recebeu as terras em pagamento de dívida contraída com seus pais. José casou-se com Francelina Antunes e, juntos, iniciaram a saga da família Pinto, hoje com mais de 700 descendentes, dos quais cerca de 300 moram no bairro e mantêm uma tradição passada de geração em geração.

Foto: Shin Shikuma


A festa de São Lourenço, padroeiro do bairro, é realizada anualmente. Na ocasião, os moradores se reúnem para comemorar o 10 de agosto na igreja de propriedade da família. Novena, procissão, levantamento de mastro com a bandeira do santo, queima de fogos, bingo e venda de doces e salgados, com a tainha assada na brasa como prato principal, são as principais características da comemoração. A festa remete ao período da fartura de tainha nas águas de Bertioga. Hoje, o pescado já não é tão abundante, nem a comunidade vive mais exclusivamente da pesca. “É uma festa que vem desde o tempo de nossos avós. Ela não pode acabar”, diz Célia Fernandes Pinto, de 81 anos, uma das porta-vozes da família Pinto.


A pioneira família conseguiu manter por muitos anos outras tradições peculiares, que davam um ar pitoresco ao bairro, como a produção artesanal de farinha de mandioca e a antiga pesca de cerco, no rio Guaratuba. Costumes, que infelizmente, recentemente se esvaíram, segundo Célia. “Acabou o cerco porque não tem mais peixe. Meu marido chegou a vender peixe. Hoje não joga mais a rede, porque tem muita gente na praia. A família também não produz mais a farinha. Antigamente, minha sogra fazia até o biju, produzido com a massa da farinha. Hoje acabou tudo”.

Foto: Arquivo JCN


É o progresso que chega até mesmo no afastado bairro, no qual já pontuam alguns empreendimentos de alto padrão em sua rua principal, a Teotônio Vilela, e no trecho em frente ao mar, frutos do investimento de empresários que viram no lugar um potencial a ser explorado. E, aos poucos, o bairro São Lourenço absorve o desenvolvimento do vizinho empreendimento Riviera de São Lourenço. Mas nada que prejudique a vida de quem mora no bairro, segundo Célia. “Houve muitas mudanças. Fizeram prédios, o saneamento está quase pronto. É uma melhoria grande, tem que crescer”.

Foto: Shin Shikuma


Ela só lamenta a falta de lazer: “Nós temos o terreno. Quando a família Pinto fez o loteamento deixou uma área para isso. Quando chove não tem nada para fazer. Na verdade, essa é uma carência da cidade. Não tem lazer, principalmente, para os jovens. Aí eles acham que a droga é lazer”.


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