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Um dos bairros mais importantes no desenvolvimento de Bertioga, o Indaiá, tem oculta na tranquilidade a sua influência no desenrolar da história da cidade. A própria eletricidade do bairro, afastado da área central, começou pela casa de José Ermínio de Moraes, fundador do Grupo Votorantim, conforme conta Maria do Carmo Quirino dos Santos, de 84 anos, caiçara e antiga governanta da família no imóvel localizado no Cantão do Indaiá.

Foto: Aline Pazin


“No tempo em que eu fui morar lá, não tinha nem luz; era de gerador e meu marido que cuidava. Depois o doutor Moraes [José Ermírio de Moraes] veio,puxou poste de luz de Cubatão para Bertioga. A luz naquela época vinha só para ele, pela praia, e só depois foi distribuída para o pessoal do bairro todo”, contou.

Foto: Aline Pazin
Foto: Aline Pazin

Neste imóvel, a família Ermírio de Moraes recebeu grandes nomes da política nacional, como Jânio Quadros, chefe de Estado entre 31 de janeiro e 25 de agosto de 1961, quando renunciou. “Quando ele ganhou a eleição para presidente, ele veio ver aqui a apuração, com luz de gerador”, revelou Maria do Carmo. O próprio José Ermírio, reconhecido como um dos maiores empresários brasileiros, exerceu o cargo de senador entre 1963 e 1971.

Foto: Aline Pazin


Esta propriedade, visível do outro extremo da praia da Enseada por seu baixo muro branco, também originou o nome do bairro. Antes de pertencer à família Ermírio de Moraes, estas terras eram propriedade do chamado Poeta do Mar, Vicente de Carvalho. O próprio nome dado ao bairro originou-se de uma escolha do poeta que, devido seu cultivo de coqueiro-indaiá, batizou o terreno como Sítio Indaiá.“Tudo o que ele tinha, que ele comprou aqui, ele batizou como Indaiá; daí depois começaram a chamar o bairro todo”, contou a aposentada.


A vida de Maria do Carmo, nascida e criada no bairro, também está intimamente ligada a este terreno, já que seu pai Teodoro Quirino foi caseiro do Poeta do Mar. Ela conta que, dali, Vicente de Carvalho buscou inspirações para parte de seus poemas. “No meio do quintal tinha uma pedra gravada com uma poesia escrita por ele”, lembrou. 


Quando lembra de sua infância, das longas caminhadas até a área central da cidade, da pequena plantação em seu quintal, os risos e os sabores vivenciados no bairro em sua juventude, Maria do Carmo sente saudade, mas reconhece que foram tempos difíceis, e que agora espera que o Indaiá ofereça uma infraestrutura cada vez melhor para os moradores. 

Foto: Aline Pazin


Os anos passados também estão vívidos na memória de Maria do Carmo Moraes Rúbio, moradora há 21 anos, e proprietária de uma pousada no coração do bairro. “Aqui era nossa pracinha de comércio, tinha a lojinha, a farmácia, a sorveteria e o mercado. Aqui era o centro comercial. Depois que fechou o mercado, morreu a praça”, disse a microempresária. Ela acredita que a praça Senador José Ermírio de Moraes seja um dos pontos essenciais para a revitalização do bairro, que carece de investimentos para atender não apenas a moradores, mas também aos turistas.


Apesar de não contar com a mesma estrutura de outros bairros, o Indaiá tem atraído cada vez mais os olhares de moradores de todo o estado devido suas características naturais. Isso acontece devido a realização de campeonatos esportivos, proporcionados pelas águas calmas de sua praia. “O bairro do Indaiá, além de ser histórico, de ter personagens que passaram por aqui, ele tem uma geografia, um costão maravilhoso, e está se caracterizando para algumas atividades que não são apenas atrativas para banhistas”, disse o secretário de Turismo, Esporte e Cultura José Luiz Zuppani. Ele comenta que os aspectos naturais tornam o bairro o local ideal para a prática de esportes de aventura: “Daqui saem, chegam e acontecem várias competições, como natação e triathlon. Então, nós temos que ordenar o banhista, a saída de barcos, assim como os eventos. Com tudo isso, a urbanização começa a mudar no entorno, na beirada da praia. São mais meios de hospedagens, já vemos torres de prédios, frequência de pessoas de outros bairros como, por exemplo, você pode sair da praia da Riviera e chegar aqui andando”. A instalação de marinas, devido a área de permissão para a entrada e saída de embarcações, também foi comentada por Zuppani. Ele adiantou que existe um trabalho em andamento na Secretaria de Meio Ambiente para a ordenação da saída dos barcos para o mar.

Foto: Aline Pazin


Arte local

Outro ponto forte do bairro é o desenvolvimento de artesãos que encontram na Associação dos Moradores Ativos do Indaiá (Amai) um meio de aprendizado de técnicas que podem ser utilizadas para a criação de peças para a comercialização. A própria Maria do Carmo Moraes Rúbio, que comandou a entidade desde a sua criação, atualmente integra a diretoria da associação e ensina os interessados a criar trabalhos para que possam gerar sua própria renda. No local, outras pessoas repassam seu conhecimento, gratuitamente. “A gente dá tudo, a pessoa não precisa contribuir com nada, só não pode levar para casa o que ela faz”. Ela explica que a venda das peças são essenciais para a manutenção do imóvel, que é alugado, e a compra dos materiais para a confecção. No local, os interessados aprendem técnicas de bordado, crochê e pintura, todas ensinadas por professores voluntários. 


A meta da entidade, conforme revelou Maria do Carmo, é a formação de uma cooperativa, porém, os gastos atuais prejudicam a execução desta meta. A Amai localiza-se na rua Eurico Massaro Matsutani, 184, telefone (13) 3313 1671.



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