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Bertioga-Especial
Foto: Shin Shikuma

Chácaras e Vista Linda

Entre o rio e a praia


26 de fevereiro de 2019 às 10:15
Por Giu

Chácaras Vista Linda e Jardim Vista Linda, dois antigos loteamentos, agora elevados à categoria de bairros, Chácaras e Vista Linda, respectivamente, embora tenham compartilhado do mesmo sobrenome, têm características bem distintas entre si. Separados pela rodovia Rio-Santos (SP-55), Chácaras cresce no sentido da Serra do Mar, e tem o rio Itapanhaú ao fundo. Concentra significativa parcela da população fixa de Bertioga, bem como o comércio pesado da construção civil, às margens da rodovia. O Jardim Vista Linda, por sua vez, volta-se para o mar e parte de sua área é ocupada por residências de veraneio.


A expansão urbana destes bairros começou em 1965, incentivada pelas notícias sobre projetos de construção das rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga (SP-98), que só vieram a se concretizar na década de 1980.

Foto: Arquivo JCN


Em comum, eles têm a força de sua gente; daqueles que escolheram esse trecho de terra para viver e, ainda hoje, enfrentarem as dificuldades do lugar, devido a distância com a região central da cidade. Cleide Maria da Silva Almeida é um exemplo. Moradora do bairro Chácaras há 45 anos, ela conta que o pai José Amélio da Silva chegou em Bertioga 49 anos atrás, para ajudar na demarcação do loteamento Chácaras Vista Linda. “Nessa época, havia apenas umas três casas no bairro Vista Linda e nós fomos morar num sítio à beira do rio, hoje, o final da rua conhecida como J.P. Simão”, lembra.


Sobre as carências do bairro ela destaca a falta de um posto médico e de áreas de lazer. Mas comemora alguns avanços: “Temos água encanada, creche, escola, iluminação e ruas regularizadas; antigamente eram apenas caminhos”, diz, feliz com o lugar onde vive. “Gosto de morar aqui, pois a minha vizinhança é formada por pessoas que se identificam comigo”.

Foto: Eleni Nogueira


A santista Helena de Oliveira Ramos Prudente está em Bertioga há 58 anos e optou por morar no bairro Chácaras há 13 anos. Ela trabalhava na casa da loteadora do bairro, Zulmira Nunes Piloto. “Ela {Zulmira} morava na beira da praia, na Vista Linda. Lembro de ter visto o bairro começar, o povo que morava aqui trabalhava no porto de areia, sobrevivia da pesca, da extração de palmito, de frutas da mata e da caça”, recorda. Não havia emprego naquela época e, ainda hoje, o problema atinge a população local. “O Chácaras é um bairro dormitório porque ele não tem trabalho para os moradores, que já são mais de cinco mil”, acredita.


O bertioguense Macario Antunes Quirino, nascido no Jardim Rio da Praia, está no Vista Linda há 12 anos. Ele não faz distinção entre os dois bairros e diz que os considera como um só. Diz ainda que tem a convicção de que, agora ela vê no terminal rodoviário, em construção no bairro Vista Linda desde 2012 e previsto para ser entregue em 2015, um futuro promissor. Para Helena, “o Chácaras tem potencial para o comércio de produtos do Norte, pois a maioria da população veio desta região, e, com a abertura da rodoviária, deve melhorar muito o comércio turístico, pois pode ser aproveitado para pesca no rio Itapanhaú”. Macário, por sua vez, acredita que, com a chegada do equipamento, o Chácaras pode vir a ser o futuro centro comercial da cidade. “E com o processo de tratamento de esgoto em plena construção, os valores dos imóveis irão disparar”.


Mãos à massa


A carência dos dois bairros com 779 famílias cadastradas no Creas-Bertioga - Centro de Referência Especializado de Assistência Social (dados de 2011) é o que move a Associação Beneficente da Comunidade Nossa Senhora de Bertioga, criada em 2006, por um grupo de voluntários das pastorais sociais da Paróquia São João Batista.

Foto: Eleni Nogueira


Dentre as atividades organizadas pela entidade estão o projeto Fortalecendo a Família, com oficinas de iniciação profissional de padaria e confeitaria comunitária, cozinha alternativa e artesanato. Voltados para as crianças, adolescentes e jovens, há os trabalhos de recreação, artesanato, orientação ao esporte e oficina de dança de salão.


No decorrer de 2012, o projeto chegou a atender cerca de 223 crianças e adolescentes, entre seis e 18 anos, e 170 pessoas, na faixa etária entre 19 e 70 anos. Para dar continuidade aos trabalhos, o grupo busca patrocínio. A coordenadora de projetos é a paulistana Marli de Oliveira Santos, residente no bairro Vista Linda desde 2005. A mudança ocorreu por conta da aposentadoria do marido. “De início eu não queria vir porque atuava num trabalho social muito grande em São Paulo. Mas, um ano depois de minha chegada em Bertioga, já entrei para esta nova missão”, afirma. A atuante entidade também tem participação nos conselhos municipais de Assistência Social e dos Direitos da Criança e do Adolescente.


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