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Bem localizado, com boa estrutura comercial, o bairro Jardim Raphael, originado em 1977, aos poucos absorve o recente desenvolvimento da cidade com a abertura da segunda pista da avenida Anchieta, construção de ciclovia, ampliação da iluminação pública e execução de obras de macrodrenagem do canal e rede de galerias para água pluviais. Além de todas essas obras, algumas concluídas e outras em andamento, a comunidade do bairro aguarda ansiosa pela aprovação e início da construção de um vizinho grandioso, o loteamento Residencial e Complexo Turístico Buriqui Costa Nativa, em fase de licenciamento junto aos órgãos ambientais, e que dá nome a um bairro recém-criado pela lei do abairramento. Um novo sonho de progresso.

Foto: Aline Pazin


No passado, a comunidade do bairro passou por outro momento de sonho, mas, nesse caso, frustrante. É impossível falar do bairro Jardim Raphael sem citar a sua maior e mais decepcionante obra: o antigo Terminal Turístico, hoje considerado um verdadeiro elefante branco. Localizado em frente à praia da Enseada, foi inaugurado, pelo governo do estado, em 1990 e desativado em 1993, devido a falta de estrutura e organização, na época, para receber a demanda gerada com a sua instalação. Havia, então, um grande fluxo de ônibus de turismo de um dia, que abarrotava as ruas e as praias nos finais de semana e feriados, com um número surpreendente de três a dez mil pessoas. Lembrança de prosperidade para uns e de transtornos para outros, o controverso equipamento divide opiniões até hoje, e está lá, na rua do Telégrafo há espera de um novo destino.


O comerciante Claudinei Teles Moreira, 73 anos, morador do bairro há 23 anos, viveu essa época e tem uma visão particular sobre o assunto. “O terminal foi um grande problema, mas também tinha suas vantagens. O bairro recebia, num final de semana, duzentos, trezentos ônibus e nós tínhamos um poder aquisitivo bom, porque todo mundo tinha dinheiro. As pessoas trabalhavam na praia, vendendo pastel, amendoim, sorvete. Tivemos o momento de decepção com o fechamento e a destruição dele e agora estamos passando essa vivência da ocupação errada daquele espaço sem aproveitamento. Ali poderia ter muitas coisas, atividades de esporte, ou a construção de um outro equipamento turístico, como um aquário. Mas está sendo um espaço mal aproveitado. O problema é tirar uma coisa e não substituir por outra. O bairro talvez tenha tido um atraso muito grande por causa disso”, lamenta.

Foto: JCN


Daniel Ortega Guerreiro está no Jardim Raphael há 22 anos, e também conheceu a movimentação do terminal. Ele diz: “Aqui tinha poucas casas, era sossegado; aí apareceu o terminal turístico e aconteceu uma explosão demográfica, muita gente invadiu aqui, o poder público não tomou consciência e deixou tudo acontecer. Hoje, metade do bairro é de invasão. Mas são pessoas boas, que vieram para tentar trabalhar, na época, tinha muita gente aqui. O terminal trouxe muitos problemas, mas se o prefeito desse um jeito naquele resto que sobrou, o bairro estaria muito melhor”.


Outro que opina sobre o assunto é o comerciante Aparecido Soares, conhecido como Lelé, com 25 anos de história no bairro. “Eu peguei os dois anos finais do antigo terminal. O problema é que a gente não tinha uma estrutura de policiamento, a coisa era desordenada. Vinham ônibus demais e não tinha controle, não tinha nada. O bom seria arrumar aquilo que restou. O sonho do prefeito Orlandini era transformar aquilo lá até o final do seu mandato e eu acho que ele vai conseguir”, torce.

Foto: Aline Pazin


Mas, mesmo com todas as decepções passadas e sonhos futuros, os moradores estão satisfeitos e felizes por morarem no Jardim Raphael. Lelé diz: “No decorrer de 25 anos melhorou muito, a gente tem a segunda via da Anchieta, está num passo meio lento, mas está saindo, e nosso bairro será um dos mais bonitos da cidade”. Daniel Ortega Guerreiro ressalta a tranquilidade como o melhor adjetivo do bairro. “As pessoas são boas; todos se conhecem. Os problemas são os mesmos vividos em todos os lugares”.


Claudinei Teles Moreira é poético ao declarar seu amor pelo lugar onde vive: “É um lugar bom, tranquilo. Sempre convivi com todo mundo e a gente passa a fazer parte dessa comunidade. Gosto do bairro porque eu sou como aquela árvore ali à frente, eu já enraizei. Já viajei para uns 20 países, mas isso aqui que está na minha frente, que eu levanto, eu respiro, eu vejo é meu mundo. Melhor do que aqui, quem sabe só no paraíso”.


Ele também ressalta os problemas atuais e os projetos futuros. “Não temos escola, não temos locais para desenvolver o social, um esporte, um lugar para as crianças. Mas eu acredito que o bairro irá despontar, em breve, como um dos preferidos de Bertioga. Os projetos que eu tenho visto, que eu tenho acompanhado, são maravilhosos. Esse novo loteamento que nós teremos aqui ao lado, o Buriqui, será uma nova Riviera. Aí só o tempo dirá como vai ser, e a gente fica com aquela expectativa: será que eu vou ver, ou não?”.

Foto: Eleni Nogueira


Um morador mais recente, Salvador Pinheiro dos Santos, que chegou há 11 anos, enxerga na hospitalidade de seu povo, o melhor do São Raphael. “Escolhi o bairro por ser um lugar de gente humilde, um povo bacana. Conheço todo mundo e todos me receberam muito bem e eu gosto demais do lugar, pois é um bairro aconchegante. O único problema é aquele elefante branco [o terminal]. Tinha que fazer alguma coisa com aquilo.



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