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O desenvolvimento urbano sustentável tornou-se a chave para que Bertioga consiga agregar em seu espaço - cada vez menor para abrigar as pessoas que escolhem a cidade como nova moradia - a infraestrutura necessária a uma rotina cada vez mais agitada, aliada à preservação ambiental. Mas quem optou pela região norte da cidade para viver deseja a calmaria e benefícios raramente possíveis em uma grande metrópole. E o começo desta área, sentido desde o frio na barriga proporcionado ao descer pela rodovia Rio-Santos, no trecho que compreende a região, origina- se no bairro Guaratuba.

Foto: Dirceu Mathias

O “lugar aonde a onça vem beber água”, como era chamado o local pelos índios, e que lhe emprestou o nome, Guaratuba, conserva muito de suas características do início do loteamento, cujas primeiras moradias urbanas datam da década de 1990. O verde encanta os olhos, e o cenário paradisíaco completa-se a cada passo dado em qualquer uma das pequenas trilhas que desembocam na praia. O ar que enche os pulmões é tão puro quanto fresco, e recarrega as energias de seus habitantes diariamente.

Foto: Shin Shikuma

A qualidade de vida do bairro foi um dos aspectos mais impactantes para a gerente Rosangela Codo, funcionária da empresa que administra o loteamento e tem residência no local. Devido o trabalho na administradora, cuja sede veio da capital, em 2002, para Guaratuba, Rosangela também se mudou para o residencial. Em sua opinião, o primeiro impacto foi gritante devido a diferença na rotina entre as duas cidades, mas, com o tempo, diminuindo o ritmo acelerado da vida em São Paulo, ela percebeu o aumento na qualidade de vida. “Nós chamamos o residencial de ‘paraíso ecológico’. Tem muita vegetação; é uma coisa que não se encontra em São Paulo. A natureza é o que tem de melhor aqui. Quem vem para cá, quem compra terreno ou aluga casa, vem por isso: a tranquilidade, a limpeza da praia e tudo o que a natureza proporciona. Esta é a informação que as pessoas nos passam, elas se encantam”, contou a gerente.

Foto: Shin Shikuma

Essa tranquilidade e preservação ambiental também é o principal atrativo do Guaratuba, na opinião do consultor imobiliário Paulo de Tarso Avelino Bezerra, que saiu do Indaiá após o bairro perder suas características. “Uma coisa que o pessoal gosta é a praia, em todo o litoral, e eu diria que a praia ainda deve manter suas características por muito tempo, ou seja, nativa, limpa; não tem esse fluxo de gente como a praia da Enseada, então, você tem uma privacidade maior, além do contato com a natureza. Desde o Itaguaré, toda essa área é de preservação, pertence ao Parque Estadual da Restinga, ou seja, o foco da preservação”, comentou o consultor imobiliário.

Foto: Shin Shikuma

Paulo mora no Guaratuba há quase quatro anos, em busca destas características, mas escolheu Bertioga para sua morada em 1974, quando se mudou para o Indaiá. “Naquela época era um paraíso. Conheci o senhor Antonio Rodrigues, o próprio Antonio Erminio de Moraes, que andava na praia com a esposa; conheci os filhos também que iam mergulhar, enfim, a gente teve uma vida muito legal naquela época. Hoje já mudou tudo. Você tenta resgatar aquilo que você tinha e hoje não tem mais, sempre procurando manter essas características. E um destes locais, com sossego e preservação, é o Guaratuba”. 

Foto: Shin Shikuma

Em sua memória, mantém-se vívida sua primeira visita à cidade, em 1962, quando passou por uma experiência marcante. Paulo contou ter sido testemunha ocular da história ao ver atravessar o canal de Bertioga, a partir de Guarujá, o médico nazista Josef Mengele, conhecido como o “Anjo da Morte”. Paulo e seu tio aguardavam a balsa quando o alemão surgiu em um jipe anfíbio, vestido à moda safari. O médico alemão, que fazia experimentos com seres humanos em Auschwitz morreu em Bertioga, em 7 de fevereiro de 1979, após um mergulho na praia da Enseada, no Centro. A exumação da ossada, em 1985, comprovou pertencer ao Anjo da Morte.


Petróleo

Foto: Mayumi Kitamura


Uma referência para quem não conhece o início do bairro é a estação intermediária de rebombeamento e reaquecimento de petróleo da Petrobras, instalada no Guaratuba. Bertioga é cortada, de uma ponta a outra, por dutos que transportam o produto do terminal de São Sebastião à refinaria de Cubatão e, por isso, recebe royalties do petróleo. O valor é uma compensação financeira por possíveis danos ambientais causados pela extração. Em  outubro de 1983, por exemplo, cerca de 2.500m3 de petróleo vazaram do oleoduto da Petrobras, em Bertioga, e causou impactos em uma extensa área de manguezal do canal de Bertioga, além de atingir 31 praias, rios e bosques de manguezais.

Pela proposta da nova lei dos royalties do petróleo, o valor já destinado aos municípios e estados produtores e afetados diminuiria com um aumento da distribuição no número de não produtores. Contudo, uma liminar impede a aplicação da nova lei, ainda no aguardo do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do mérito de ação direta de inconstitucionalidade (Adin). A decisão deverá ser dada no dia 28 deste mês.




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