Terras Indígenas do Rio Silveira - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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A escravização e ocupação das terras indígenas, que quase dizimaram o povo guarani, estimado por historiadores em um milhão de pessoas no primeiro século contra os atuais 40 mil indivíduos, originaram a movimentação destes índios e uma busca por uma terra sem mal, alcançada no além-mar, a chamada Yvymarãe’ . Boa parte destes índios firmou-se na comunidade indígena guarani que, atualmente, ocupa uma área na divisa entre Bertioga e São Sebastião.

Foto: Dirceu Mathias

O historiador Cadu de Castro, que trabalha há nove anos com o povo das Terras Indígenas do Rio Silveira, comenta que os grupos de guaranis que migraram para esta região estabeleceram- se há, aproximadamente, 200 anos, em busca do mito da terra prometida, a Yvymarãe’ . Nesta aldeia, em especial, há uma cultura de preservação de tradições bem acentuada, em comparação com outras aldeias e até outras etnias, fator atribuído, principalmente, à conservação do território.

Foto: Renata de Brito

Este verdadeiro tesouro cultural em território bertioguense, cuja área de 8.500 hectares foi demarcada pela Portaria 1236, de 2008, do Ministério da Justiça, enriquece ainda mais as possibilidades de conhecimento local. “Bertioga tem que estar agradecida por ter uma comunidade indígena dentro dos seus limites territoriais, que ainda conserva todos os aspectos culturais do povo indígena, numa demonstração de como se pode alinhar preservação cultural com a ambiental e os benefícios da sociedade ocidental. O índio pode fazer faculdade, mas ele nunca vai deixar de ser índio”,disse o chefe da Coordenação Técnica Local (CTL) da Fundação Nacional do Índio (Funai), em São Paulo, Márcio José Alvim do Nascimento, lembrando a frase de um líder indígena: “Eu posso ser o que você é sem deixar de ser quem sou”.

Foto: Dirceu Mathias

Na área ocupada por 550 índios pratica-se a caça, a pesca, o plantio e elaboração de artesanato. Estes fatores são essenciais para a preservação cultural. Diz o historiador Castro: “Se o índio é tirado da terra, principalmente se é colocado em uma área urbana como São Paulo, ocorre um processo de desestruturação cultural, no qual não podem mais caçar, plantar e nem pescar. Consequentemente, eles perdem toda a referência de trabalho e de costumes. Logo depois disso vem a desestruturação social, entram a droga e a bebida, que acabam com o grupo. Isso é feito de maneira proposital, porque o índio tem algo para nós que é muito valioso: a terra”.

Foto: JCN

Mesmo tão perto de sua terra prometida, ainda hoje os guaranis das Terras Indígenas Rio Silveira lutam pelo território. Esta batalha prossegue porque, nestas terras, ainda há ocupações irregulares, não indígenas. Segundo o cacique Adolfo Timóteo, eles estão “lutando para garantir que as futuras gerações tenham seu espaço, para que não aconteça como na região de Mato Grosso do Sul, que vive em conflito com fazendeiros porque as terras não foram demarcadas de maneira suficiente”. Um dos ocupantes das Terras Indígenas Rio Silveira entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a reintegração de terras, contudo, a Funai já havia realizado o levantamento fundiário para a indenização de todos os ocupantes não indígenas.

Foto: Marcos Pertinhes

Em abril, a comunidade Rio Silveira teve uma boa notícia, a aprovação do convênio para a construção de 120 moradias indígenas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), que abrigarão todas as famílias residentes. Há dez anos, a comunidade já havia sido contemplada pelo programa de Moradia Indígena, coordenado pelo órgão estadual, contudo, as construções eram mistas de madeira de alvenaria e cobertas com piaçava. Estas casas marcaram o início do programa, porém, sua manutenção tornou-se muito custosa, prejudicada pela fragilidade do material e pelo alto índice pluviométrico. Por isso, desta vez, os índios optaram por casas de alvenaria. A estimativa é que o projeto tenha investimento de aproximadamente R$ 9 milhões.

Foto: Renata de Brito

O próximo passo é o início do processo licitatório para a construção das novas moradias indígenas, cujo projeto foi elaborado por engenheiros e tiveram todo o suporte da Funai e dos próprios índios, a fim de preservar ao máximo os aspectos da cultura indígena.


Para haver um contato mais próximo com o povo guarani, há aproximadamente três anos foi autorizada a publicação de edital de licitação para a construção do Centro Cultural Indígena Guarani. Pretende-se, no espaço, realizar palestras, apresentações de música e dança, exposições de artesanato e fotografia, comercialização dos produtos agrícolas e plantas ornamentais. 

Foto: Renata de Brito

A construção está prevista para ser realizada nas terras indígenas Rio Silveira, o que deve coibir os riscos sofridos pelos índios ao venderem seus produtos à beira da rodovia Rio-Santos. Além disso, a Funai deve assinar portaria, em meados do ano, regulamentando as visitas às terras indígenas com vistas ao etnoturismo. A ideia é fortalecer os laços com a população não índia, aumentar o conhecimento sobre este povo e, assim, conquistar mais respeito por sua cultura.


De acordo com Alvim, a regulamentação está sendo formatada de maneira a atender todos os critérios para manter a privacidade do grupo e o respeito das pessoas quando adentram uma terra indígena. Atualmente, os interessados em visitar a aldeia Rio Silveira podem entrar em contato com a Central Funai pelo telefone (11) 3224 8162.


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