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Na década de 1980, a região de Bertioga que possuía o metro quadrado de terreno mais valorizado era a Vila Agaó, mesmo sendo uma área ainda pouco ocupada, sem atrativos, ou investimentos públicos, que justificassem os altos preços. Hoje, mais de 30 anos depois, com a nova lei de abairramento, o loteamento passou a integrar a região do Maitinga, um bairro emergente e com expressiva expansão.


O prefeito Mauro Orlandini, na época um arquiteto do interior do estado, que veio a Bertioga para avaliar um imóvel na cidade, arrematado por um tio em uma transação imobiliária, relembra: “Comecei a frequentar uma corretora de imóveis e ouvia os clientes dizendo que queriam comprar um terreno, mas que não tinham dinheiro para investir na Vila Agaó”. Ele acredita que a valorização explicava-se, talvez, por ser um loteamento recente, pelo tamanho dos lotes e pela localização.


Depois as atenções voltaram-se para outros loteamentos vistosos na cidade, como a Riviera de São Lourenço e Hanga Ho. “Essa dinâmica determina o desenvolvimento da cidade. Por isso, a necessidade de atualização periódica do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentado, processo pelo qual Bertioga vem passando neste momento, com discussões que envolvem toda a comunidade, na busca do melhor aproveitamento do espaço urbano, com qualidade de vida”, afirma o prefeito.

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Orlandini trabalhou como arquiteto na cidade, foi administrador do então Distrito de Bertioga e, hoje, é prefeito pela terceira vez. Ele lembra que há 30 anos o governo federal financiava máquinas e equipamentos para desmatamento, como forma de ocupação, em busca do progresso. “Esse era o símbolo do desenvolvimento na época. Hoje, as questões ambientais são restritivas, principalmente em Bertioga, que tem grande parte de seu território como de preservação”. Ele se recorda que, em 1983, comprou seu primeiro imóvel na cidade. Uma chácara no bairro Chácara Vista Linda, hoje Chácara, com drenagem rudimentar. “Em cada rua aberta, era feita uma estiva; colocava-se madeira de forma perpendicular à via e jogava-se areia por cima, assim, a água da chuva escorria. Era a drenagem da época”.


Hoje, na condição de administrador público, Orlandini ainda enfrenta a batalha de dotar a cidade dos serviços de micro e macrodrenagem, como os da avenida Anchieta. “Decidi por implantar sistemas de galerias. Não adianta colocar tubulação embaixo das ruas, é uma obra mais rápida, mais barata, mas menos eficaz. Estou fazendo obras enterradas, mas são definitivas”. A importância da drenagem da cidade é reforçada pelo prefeito ao se lembrar de outra prática da década de 1980, atualmente proibida pelas leis ambientais. “Próximo a minha chácara na Rua 6 havia um porto de areia, de onde era retirada a areia do fundo do rio Itapanhaú, o que hoje não é mais permitido”. Essa areia, ele diz, era de boa qualidade porque sofria pouca interferência da maré e podia ser utilizada na construção civil. Sem o sal, a areia dava mais liga com o cimento e não corroia a ferragem da construção.


A retirada de areia do fundo do rio, conforme lembra Orlandini, aumentava a sua calha e o leito podia receber maior carga de água da chuva, sem extravasar e alagar ruas nas proximidades. Atualmente, para realizar a dragagem de um rio, é necessária a aprovação de diversos órgãos ambientais. “É por isso que decidi investir em drenagem, com galerias de macrodrenagem, como uma forma definitiva, antes de implantar as redes de água e esgoto”.


As diversas experiências vividas por Orlandini ao longo de sua carreira profissional em Bertioga atravessaram os anos e hoje se concretizam em obras públicas. “Nunca aceitei fazer um projeto que não fosse bom para a cidade. Na época, existia uma prática de construir a edícula antes da casa”, lembra o arquiteto. A lei não permitia aprovar o projeto só com a edícula, então, aprovava-se tudo; executava-se só a edícula e se dava baixa no projeto. “Nunca aceitei fazer isso, sempre convencia o proprietário a executar tudo, porque eu imaginava que a cidade ficaria com uma aparência mais bonita”. Hoje, algumas obras refletem a preocupação de Orlandini com a estética, como é o caso da reurbanização da orla da praia, cujo projeto é do renomado arquiteto Rui Ohtake.


Acessibilidade em 1980


Numa época em que poucos se preocupavam com acessibilidade, na década de 1980, Orlandini já tinha essa demanda entre seus clientes. Ele lembra que uma senhora, proprietária de uma casa de veraneio na rua João Ramalho, o procurou para uma reforma. A rua havia acabado de ser asfaltada e o nível ficou mais alto que a casa. “Como ela tinha outro terreno em frente, decidiu fazer outra casa. Mas a filha era cadeirante e precisava de algumas facilidades de locomoção”. Para desenvolver o projeto, Orlandini foi até a casa onde a família morava, na cidade de Ribeirão Preto, para conhecer seu o dia a dia. “Ela ficou em uma cadeira de rodas e eu em outra; tudo que ela fazia, eu fazia. Conheci sua rotina e, a partir daí, tive subsídios para desenvolver o projeto”.


Atualmente, além da estética, todas as obras novas desenvolvidas no município contemplam também a questão da acessibilidade, como, por exemplo, a reurbanização da orla da praia e da avenida 19 de Maio, e a duplicação da avenida Anchieta. Para Orlandini, “essa é a dinâmica do desenvolvimento que deve fazer parte da vida de um administrador público. É o desenvolvimento urbano, aliado ao social, ao ambiental, ao progressista, envolvendo diversas áreas de conhecimentos, cuja convergência é a qualidade de vida e a construção de uma cidade boa para todos”.



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