A Bertioga que não se vê - Sistema Costa Norte de ComunicaçãoBertioga-Especial | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Foto: Dirceu Mathias


“Graças a Nhanderu (Deus Trovão), aqui na aldeia estamos seguros, porque temos terra para morar e para plantar, natureza, caça para nossa subsistência, rios, espaço para andar, nossa casa de reza e muitas outras coisas. Mas não podemos nos acomodar. É preciso lutar sempre, fortalecer os nossos jovens para que a nossa cultura não caia no esquecimento e seja banida de vez”. A fala é do cacique Adolfo Timóteo, líder da Terra Indígena Ribeirão Silveira, localizada em Boraceia, na divisa com São Sebastião.

Foto: Renata de Brito

 Diferentemente dos índios de outras regiões, os de Bertioga estão realmente seguros. É que, após 20 anos de luta, o processo de demarcação da terra ocupada por eles, agora aguarda apenas a homologação do decreto pela presidente da República, Dilma Roussef, segundo o técnico indigenista Márcio José Alvim do Nascimento. 

Foto: Renata de Brito

A última etapa vencida foi o levantamento fundiário para identificação das áreas ocupadas por não índios (cerca de 25 propriedades), concluída em dezembro passado. Márcio Alvim atua na Funai (Fundação Nacional do Índio) há 32 anos, 25 deles em Bertioga. Ele acompanhou todo o árduo processo e comemora. “Foi uma batalha,  mas valeu a pena, me sinto realizado. A terra é a vida do índio, garantia de seu território e das gerações futuras”. 

Com uma população de 520 pessoas (dos subgrupos mbya e nhandeva), o povo guarani ocupa uma área de 8.500 hectares, onde mantém suas tradições, como a manutenção da língua, das danças, de rituais e da casa de reza. A música também tem papel fundamental, tanto que mês passado estiveram em São Paulo, para o lançamento do CD e DV Guardiões Guarani, com 33 vozes, a maioria crianças e jovens. 

Foto: Renata de Brito

De acordo com Márcio Alvim, uma parceria entre a Funai e o Ministério do Desenvolvimento Agrário possibilitou, ano passado, o plantio de 20 mil mudas de palmito pupunha e de quatro mil mudas de plantas frutíferas, como laranja, limão, jabuticaba, acerola e plantas nativas, na área. Outro projeto em andamento, parceria entre a Funai, Ministério da Agricultura e Associação Indígena, com apoio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral - Cati, ligada à Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo, trata da construção de galinheiros e de tanques para piscicultura. 

Foto: Renata de Brito

Na reserva há uma escola municipal com aulas até o nível fundamental, com sistema bilíngue. De acordo com Márcio, a população da reserva tem aumentado nos últimos anos, por conta do alto crescimento vegetativo e da taxa de natalidade, em torno de 6,5%, muito acima da média brasileira, de 1,7%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Ainda segundo Márcio, a taxa de mortalidade é muito baixa, praticamente zerada. “No início do ano, perdemos o índio mais velho da reserva, ele tinha 103 anos”. O indigenista atribui os números aos cuidados na área da saúde. “A comunidade conta com programas de acompanhamento à gestante e à criança, além de uma equipe de saúde dentro da terra indígena”.    


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